sábado, 26 de junho de 2010

IBÁ ÈSÚ

ILE OGERE , IBÁ! IWO NAA NI A O KOKO TE, KI A TO TE OMI.ÈSÚ ÒDARA, IBÁ! IBÁ OGANJO. IBÁ ASESE YO OORUN, IBÁ ÀKODA, ÌBÁ ASEDA, TIN SE EBORA AYE. ÌBÁ ÈSÚ NI A NDA KI A TO BO ORÍSÁ. MO DURO, MO JUBÁ ÈSÚ! MO BERE, MO JUBÁ ÈSÚ MO JUBÁ OKÙNRIN, MO JUBÁ OBIRIN , MO JUBÁ OMODE ,MO JUBÁ AGBÁ. ÌBÁ GBOGBO YIN KIN NTO MU AWOSE, MO WA LA TI WA JUBÁ RE ÈSÚ ALAGBARA ALASE OMO ELEDUMARE. ÌBÁ NI TIRE ÈSÚ, AH! ÌWO ELEGBARA, EBORA OLOWO IJO, A SE OTUN, SE OSIN, LA NI ÌTÍJU, ÈSÚ ÒDARA JE OWURO MI O SAN MI. ÈSÚ ÒDARA JE ALE MI O SAN MI. ÈSÚ ÒDARA TI NJE LATOPÁ, ELEPO LENU, ÒDARA TI NJE ELEGBARA, A YI KONDUN SI EYIN , ELEYIN, OKUNRIN ONA, OKUNRIN OGUN, ONILÈ ORÍTA, AGBÁ ÒRISA A SORO NAA DI OMIRAN, LAROYE-O, LAROYE-O. OMI LERO INÁ, EPO LERO ÈSÚ, ÌBÁ MI NAA FUN EYIN ÌYÁ MI ÒSÓRONGÁ, A PA ENI MA YO IDA, OLOKIKI ORU OKO NSISE, ORI ÌLE NI, AYANE MO NAA NKO-O, ORÍ ÌLE NAA NI , LEGBARA MO JUBÁ RE O, MA JE ÌLE YI O YO, MO MI LESSE-O. ÀGBA DA NI NGBA OHUN AKARA OMO ELEDUMARE, IWO LO PA OKÓ SINU INÁ O PA ALE SI IDI ARO, O TUN WA PA ÌYÁ WO SI EHIN ÌLE, ÌBÁ RE E, EBÍTA OKUNRIN MA PA MI, MA SI PA ENYIAN, SIMI LORUN-O, ÈSÚ LAALÚ, MO YILE, ÌBÁ YIN O, IWO EBORA OLOWO, MO JUBÁ RE O, OBÁ AWON ÌMALE ENI TI KO MO E NI NPE E, NI ONIKUMO, EMI NI ORÍGBEMILEKE OMO ÈSÚ ODARA KI OHUN BURUKU O , PARADA LAYE MI O. EYIN OKANLENIGBA EBORA ÍNU AYE, ÌBÁ YIN O . MO TUN JUBA OGANJO TI NSE OMO IYA ORU, OLOJO ÌBÁ. AH! ÈSÚ GANRANGARAN, LEBARA WA GBO OHUN MI O, ÌBÁ OMI NI A NJU, KI A TO PA EJA. ÌBÁ IGBO NI A NJU, KI A TO SODE. ÌBÁ NAA NI A NJU ,KI A TO PA EYE BI OMODE BA DE ÍBI ORO LA JUBÁ AWON ÌYÁ MOGUN, AWON ÌYÁ MOGUN PELU ÁSÈ ÈSÚ ÒDARA WON A FÍ ORÍ RE TELE APO . ÈSÚ LAALU MO JUBÁ RE O ÌKORÍTA METÁ, AYE TOUN ORUN, ÌBÁ. EYIN AYE, E MA DA ILE MI O NKO NI DA TÍ YIN NAA O ENI BÁ DALE, KI ÌLE UM LO O , ÈSÚ ALÀSE ÒRÍSA OUN LO SE ALAKOSO WA, LE TI ODO ODALEBERU LEGBE, YEYE A TI PEREGUN OMI, ODO NAA RE O KO TÍÍ GBE O, YEYE ETI ODO NAA RE O KO TI GBEO, PEREGUN ETI ODO NAA RE O KO TÍÍ GBE O. EWE ORI WON KO TI WO O .ÈSÚ MA JE ORI MI, ELEDA MI O O SIN MI SILE O, MO TUN NFIBA AWON OKANLENIGBA IMALE TI WON NSE OJISE ELEDUMARE. ÌBÁ ÈSÚ LAALU ENI TI E NGBA ASE LOWORE, LEGBARA, LEGBARA ÌRAWO ÀKODA TI MO NWO YI TI NSE AYA OJU, ÌBÁ. ÈSÚ ÒDARA IRAWO ÁKODA, ÁSÉ EBÓ LOWO, BINBA RUBO NKO O , JE EBÓ MI ODÁ O, A JEBÓ JEEBÓ MI O DA , A AJEBO MO TUN JUBÁ OORUN, EYI TI NSE AYA, OWURO KUTU ,ORI MI, ELEDA MI , ÌBÁ RE O. IGI HU NINU IGBO, ORÍ ILE NI ADA NSISE, ORÍ ÌLE NI. MO TUN JUBÁ EYIN ÌYÁMI ÒSÓRONGA OPIKI ELESE OSUN, A JEFUN JEDO. ÈSÚ, MA JE AWON ÌYÁ MOGUN FI ORÍ MI TELE APO KIN LE GBO, BÍ O GBO noKIN TO TO , KI OJO MI O DALE-O EYIN OKANLENIRINWO IMALE NAA NKO O, ÌBÁ NI MO NJE, ISE KO NI MORAN YIN E MASE AÍ, KO JE MI O E MA GBAGBÈ ÌRUKERE. ÈSÚ LAALU, ÌBÁ RE O, JE ÌLE AYE, MI OSAN MI ,KI O TU NI NEGENNEGEN BI OMI ODO A FI OWURO PON O ,ÈSÚ oDARAA KASE NLE KI NRIBI LO , EMI LOMO ARO GIDIGBA TÍ NBO LONA. LAALU, MA JOKO LE MI, KI O MA TUN JOKO LE OMO MI .ÈSÚ OKUNRIN KUKURU TI NBE L'ONA OJÁ, ÈSÚ LAALÚ, MO JUBÁ RE O, ÌBÁ A JE O , ÌBÁ ÈSÚ!!

Tradução:

Terra eu te saudo! É sobre voce que caminha primeiro antes de pisar na água, èsú òdara, saudações! saudações à madrugada, saudações ao sol nascente, saudações ao sol poente, saudações aos prímordios, saudações aos criadores, que são veneráveis. a saudação à èsú é a primeira a ser feita, antes venerar a qualquer Òrísá . De pé, eu saúdo a èsú; abaixado eu saúdo à èsú; deitado, eu saúdo èsú. Minhas saudações aos homens, minhas saudações as mulheres, minhas saudações as crianças, minhas saudaçoes aos mais velhos. Saudações à todos voces antes de iniciar os mistério. Eu vim especialmente para saudar voce èsú. O poderoso dono do ásé e filho de Deus. Essas saudações são suas Elegbara, elas são suas èsú. Ah! voce Elegbara, o venerável que tem nas mãos o poder da intriga; que tanto joga no lado direito, como no esquerdo sem o menor constragimentos. Èsú òdara, faça com que a minha manhã seje fávoravel, èsú òdara faça com que a minha noite seje favorável. Èsú Òdara que se chama látopá, que tem em sua boca o dendê. Òdara que se chama Elegbara, que posa nas costas dos outros. O sr dos caminhos, o sr das guerras, que tem a sua morada em frente as casas e na encruzilhada. Orísá velho que muda o conhecimento do passado, o poder da água paga o fogo, o poder do dendê acalma èsú. Minhas saudações a voces minhas mães, que matam sem utilizar nenhuma arma; são voces, donas da madrugada. A enchada trabalhando, è sobre o orí, com persistência espalhando o conhecimento. O DESTINO MANIFESTA-SE SOBRE A TERRA, LEBARA EU VOS SAÚDO, que eu não caia sobre a terra, que ela não trema sob meus pés. É o dendê quente que ouve a voz do akará, filho de Deus voce matou o marido dentro do fogo e que ao fazer a mesma coisa com sua amante, foi deixar a esposa morta no quintal da casa. Saudações, a voce homem forte e dinâmico, não me mate e não mate a nínguém perto de mim ou de onde eu estiver.Èsú o famoso, estou na terra saudações a voce. Voce o venerável dono do dinheiro. Saudações a voce, o rei dos veneráveis. Aquele que não conhece voçe é quem o chama de, o homem do porrete. Eu sou aquele , cujo o Ori me protege dos inimigos; o filho de Èsú, o generoso; para que as coisas ruins desapareça de minha vida. Voces que são as 401 divindades veneráveis e que habitam àye, eu vos saúdo. Saudo novamente o dia, que tem seu parentesco na madrugada. Senhor do hoje, saudações a voce. Ah! èsú esse infinito, Legbara venha me ouvir, a água é o primeiro elemento A ser saudado antes da pesca. A floresta é o primeiro elemento a ser saudado antes da caça. É a mesma floresta que se sauda, antes de se pegar pássaros nela. Quando um jovem chega na arvore oro, e ele deixa de saudar à arvore das ìyás mogun, as ìyás mogun junto com o ásé de èsú Odara pegam o Orí desse jovem e colocam dentro de sua bolsa. Èsú láalu eu te saúdo, as tres encruzilhadas que ligam o mundo vísível ao ín vísivel, saudações. Minhas mães Òsóronga, não me traiam, eu também não trairei voces. Quem trair a terra, que a terra leve embora. èsú o portador do ásé do òrísa que nos uniu para juramento de fidelidade, na beira do rio perto das àrvores sagradas yeye e peregun. Vejam a água deste mesmo rio, ele ainda não secou e nem secara. vejam a arvore sagrada yeye, que está na beira deste mesmo rio, esta àrvore não secou e nem secara. Peregun sagrado está na beira deste mesmo rio, está ``````arvore não secou e nem secará, as folhas dela ainda estão verdes e não cairão.´Èsú de força ao meu Orí e a meu Eledá, para que eles não me abandonem, Minhas saudações também as 201 divindades, que são mensageiras de Deus. Saudações èsú famoso aquele de cuja mão nós recebemos áse. Legbara, Legbara, a primeira estrela a ser criada, eu lhe tenho temor e respeito, aquele que é o alimento dos olhos, saudações. Esú Òdara, primeira estrela a ser criada, pertence a voçe o ásé dos ebós. Quando eu fizer ebó, faça com que meu ebó tenha asé e seja aceito. Saudações , ao amanhecer do dia que é parente da madrugada, saudações a vocês, a àrvore nascida dentro da floresta, o faz sobre Ori. O facão trabalhando, é sobre Ori. Eu saúdo também, minhas mães òsórongá, as louváveis que enfeitam os pés com osún e que se alimentam de intestinos e fígados. Èsú me proteja das ìyá mogun, para que não coloquem meu Orí em sua bolsa; para que eu amadureça e viva por muito tempo, que eu seje grande o suficiente para poder fazer as coisas, para que eu viva por muito tempo. E voces as 401 Divindades, eu vos saúdo, não estou mandando em voces, não deixem de me atender, não se esqueçam de mim. O milho quando nasce, a sua espiga não esquece de fazer aparecer o pendão, Èsú famoso, saudações a ti para que tudo em minha vida seja favoràvel à mim, que tudo me seja perfeitamente harmonioso. Como a aguà do rio ao ser apanhada pela manhà,Esù Odarà afaste os obstàculos para que eu possa passar, eu sou filho daquele poderoso veneràvel que està no caminho. LAÀLU não monte em mim ,naõ monte sobre meus filhos. Esù homem baixinho que fica no caminho da feira. Esù não me manipule negativamente. Esù famoso eu te saùdo. Saudações a você Esù.

Este texto foi colhido no site ile èsú ni bá ko, casa do divino espírito travesso-http://obajinmi.ning,com/ em ocasião de pesquisas.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

ÌMÓLÈ

ÌMÓLÈ é a origem da criação dos elementos, por isso este é o elemento mais importante e poderoso de todos ; ele é a origem, o fundamento de todas as coisas e de toda a criação. Em resumo, este elemento é a esfera primordial. Ìmólè é isento de tempo e espaço. Ele é a quinta força, a força que contém tudo o que foi criado e que mantém tudo em equilíbrio. É a origem e a pureza de todos os pensamentos e idéias. Mas do que a luz em si, chamada por outro nome: Ìmò ( a qual desta forma estaria mais ligada a forçã Osa), Ìmólè é a ação superior da rotação entre a luz e as trevas, é o equilíbrio e origem de tudo, daí sua transliteração mais apropiada de iluminação. Na medida em que Ìmóè é a origem dos elementos, o primeiro elemento que nasceu de Ìmolè foi ìnón ( o principio do fogo). Este elemento como todos os outros, não age só em nosso plano material, mas em tudo o que foi criado. As características básicas do princípio do fogo são o calor e a expansão; é por isso que no começo da criação tudo era fogo. Cada elemento, inclusive o fogo, possui duas polaridades, a ativa e a passiva (Ofú e Osa), a parte Ofú do fogo é construtiva, criadora e geradora, enquanto a Osa é desagregadora, destrutiva e exterminadora. Sempre devemos considerar essas duas características básicas de cada elemento. As religiões atribuem o bem ao lado Ofú (ativo) e o mal ao lado Osa(passivo), mas em princípio o bem e o mal não existem, eles são apenas conceitos da condição humana. No universo não existem coisas boas ou más, pois tudo foi criado segundo leis imutáveis. Assim é justamente através destas leis que se reflete o princípio divino, e apenas na posse do conhecimento destas leis é que podemos nos aproximar de Deus. O fogo emana à força do princípio elétrico em todo o universo. A força que representa este princípio elétrico nascido do fogo no universo, é chamada de Odù ÈJÌOGBÈ MÉJ`também conhecido no Brasil como Odù EJIÔNILÊ. Como força Ofú do fogo temos: A luz solar e como força Osa do fogo temos: a pólvora. Direção : LESTE. Folhas: urtiga, cansanção, cambára, erva-tostão e plantas afins. COR: vermelho.Metal:cobre Fase lunar: lua cheia. Parte no corpo humano aonde este elemento mais atua: cabeça. Cantiga ritual do fogo:"Inón inón mo jubá e e mo jubá, Inón inón mo jubá e àgò mo jubá" "Fogo,fogo,meu respeito e reverência fogo,fogo,meu respeito com pedido de licença e mais reverência". Em comparação com o princípio do fogo (ìnón), o princípio da água (omi), possui características totalmente opostas; suas características básicas são o frio e a retração. Aqui também se tratam de dois pólos (Ofú e Osa); o pólo Ofù (ativo) é contrutivo, doador de vida, nutriente e preservador, e o negativo (osa) é igual ao do fogo,desagregador,fermentador,decompositor e dissipador. Como o elemento água possui em si a característica básica da retração, ele deu origem ao fluído magnético(magnetismo) o qual é representado em sua forma mais plena através do Odù Òyèkú Mejí( também conhecido como Ejí-Ologbom) .Tanto o fogo como a água agem em todas as regiões. Segundo a lei da criação, o princípio do fogo não poderia existir se não contivesse um pólo oposto, ou seja o princípio da água. Por isso nos diz Ìfá; "Todo aquele que bater em Oyêku, sentirá a fúria de Èjiogbé". Esses dois elementos, fogo e água, são aqueles elementos básicos com os quais tudo foi criado. Por causa disso é que em todos os lugares sempre temos que contar com dois elementos principais como polaridades opostas (Òfú e Osa), além do fluído magnético e elétrico. Como força de Òfú da água temos: ORVALHO. Como força Osa da água temos :Líquidos que contenham paretes de materiais em decomposição. Folhas: saião, fortuna e plantas afins que contenham bastante água dentro de si. Cor: Azul. Metal: ferro. Animais: peixes. Fase lunar:Nova Parte do corpo humano onde este elemento mais atua: ventre. Cantiga ritual da água: "Omi imònlè másé mi omi tutu, omi onòn tutu Omi oko tutu , omi iyè tutu omi imonlè másé mi" "Espírito da água não me faça mal, a água refresca , a água refresca o caminho.A água refresca a lavoura, a água refresca a vida,Espírito da água, não me faça mal."

Os textos acima são frutos de pesquisa no livro magia prática no culto a Yami osoòrongá e o mito das mulheres pássaros, de autoria de SR: LUÍS CARLOS O. SILVA.

COSMOGONIA YORUBÁ

Na origem da criação do cosmos surge uma primeira força, princípio da explosão criadora do universo. Esta força chama-se Ìwá e é equivalente ao princípio do Bing-Bang na física. Desta força original desenvolve-se uma contraparte complementar, o principio equilibrador do Ìwá, seu nome é Àbá. Comparando com os princípios originais de outras religiões, o Ìwá seria O Pai e o Àbá seria A Mãe(ou Espírito santo). Da união do Ìwá com o Àbá, surge a energia intermediária, que a tudo liga e movimenta em sua função equilibrante e dinâmica, seu nome é Àse. Se o Ìwá é o Pai e o Àbá a Mãe, o Àse é o filho. Por causa da relação entre Ìwá, Àbá e Àse, a encruzilhada de três caminhos é considerada sagrada na magia yorùbá. Ela é o ponto de encontro na terra, dos três princípios básicos do universo. Seu equivalente como ascensão ritual são as árvores que de um único tronco se desdobram para cima em três grandes galhos. Desta trindade original, surgem as forças OFÚ e OSA. Estes são equivalentes aos conceitos orientais de Yang e Ying. Ofú e Osa são modulações de energia, e suas nuances são aplicadas a todos os movimentos da natureza. São os dois pólos opostos, que em igual proporção são os responsáveis pelo equilíbrio. Um pólo tem valor igual ao seu pólo oposto, que lhe é complementar e necessário. Quando o equililíbrio entre dois pólos se altera, ambas as partes mostram seu lado destrutivo e maléfico. Ofú e Osa compõem o universo e são vistos de uma forma circular, contínua de movimento, uma vez que nada é estático e todo o equilíbrio é dinâmico, este círculo na verdade é a espiral, símbolo por excelência do movimento, equilibrado e benéfico dos pólos Ofú e Osa. Ofú é calor, expansão , é o princípio inicial do que ainda vai ser fogo ( por isso é luz ), é o masculino presente nos homens e nas mulheres. Osa é frio e contração, é aquilo que ainda vai ser água ( por isso é trevas- e sem o menor sentido negativo nesta palavra ), é o aspecto feminino presente nas mulheres e nos homens.

sexta-feira, 26 de março de 2010

SISTEMA RELIGIOSO E CONCEPÇÃO DO MUNDO: ÀIYÉ E ÒRUN


Assinalamos que atrávés da iniciação e da atividade ritual propulsionada pelo àsé, os membros da comunidade vivem e aprendem progressivamente os princípios do sistema religioso, os valores e a estrutura do mundo do nagô. Os integrantes do culto recriam a herança sócio-cultural legada por seus ancestrais. As novas contribuições recebidas pelo culto são profundamente africanizadas, retendo, das idéias forâneas, unicamente as que reforçam sua própia concepção do mundo. Os nagôs concebem que a existência transcorre em dois planos: o àiyé, isto é, o mundo, e o òrun, isto é, o além. O àiyé compreende o universo físico concreto e a vida de todos os seres naturais que o habitam, particulamente os ará àiyé ou aráyé, habitantes do mundo, a humanidade. O òrun é o espaço sobrenatural, o outro mundo. Trata-se de uma concepção abstrata de algo imenso, infinito e distante. É uma vastidão ilimitada_ode òrun_ habitada pelos ara-òrun, habitantes do òrun, seres ou entidades sobrenaturais. Quase todos os autores traduzem òrun por céu (sky) ou paraiso (heaven), traduçoes que induzem o leitor ao erro e tendem a deformar o conceito em questão. Já dissemos que o òrun era uma concepção abstrata e, portanto, não é concebido como localizado em nenhuma das partes do mundo real. O òrun é um mundo paralelo ao mundo real que coexiste com todos os conteúdos deste. Cada indivíduo, cada árvore, cada animal, cada cidade etc. possui um duplo espirítual e abstrato no òrun; no òrun habitam pois todas as sortes de entidades sobrenaturais ou, ao contrário, tudo o que existe no òrun tem sua ou suas representações materiais no àiyé. Do que se antecede, deduz se largamente que a tradução de òrun por céu paraiso é o fruto de uma concepção insuficiente e de tendencia fôranea. Como assinala muito justamente Picton (1968:33) no que concerne a um grupo Igbira: mas não a idéia do céu, morada de Deus e das almas dos justos que é fôranea à crença tradicional Igbira. Os mitos revelam que, em épocas remotas, o àiyé e o òrun não estavam separados, A existência não se desdobrava em dois níveis e os seres dos dois espaços iam de um a outro sem problemas; os òrisás habitavam o àiyé e os seres humanos podiam ir a òrun e voltar. Foi depois da violação de uma interdição que òrun se separou de àiyé que a existência se desdobrou; os seres humanos não tem mais a possibilidade de ir ao òrun e voltar de lá vivos. Duas histórias, itàn, mantidas vivas pela tradição oral. contam a criação de Sánmò, o céu atmosfera, consequencia da separação do òrun. Uma delas conta, resumindo que, no tempo em que o òrun limitava diretamente com àiyé, um ser humano tocou indevidamente o òrun com as mãos sujas, o que provocou a irritação de Olórun, entidade suprema. Este soprou, interpondo seu òfurufú, ar divino (halito) que, transformando-se em atmosfera, constitui o sánmó ou céu. A segunda história é mais elaborada. No tempo em que o àiyé e o òrun eram limitrofes, a esposa estéril de um casal de certa idade appresentou-se em várias ocasiões a Orìsálá, divindade mestra da criação dos seres humanos, e lhe implorou que lhe desse a possibilidade de gerar um filho. Repetidamente Orisálá se tinha recusado a atende-la.Emfim, movido pela grande insistência, aquiesce ao desejo da mulher, mas com uma condição: a criança não poderia jamais ultrapassar os limites do àiyé.Por isso, desde que a criança deu seus primeiros passos, seus pais tomaram todas as precauções necessárias. Contudo, toda vez que o pai ia trabalhar no campo, o pequeno pedia para acompanha-lo. Toda sorte de estratagemas eram feitos para evitar que a criança acompanhasse o pai. Este saía escondido de madrugada. A medida que a criança ia crescendo, o desejo de acompanhar seu pai aumentava. Tendo atingido a puberdade, uma noite, eçle decidiu fazer um buraquinho no saco que seu pai levava todos os dias de madrugada e de por uma certa quantidade de cinza no fundo. Assim, guiado pela trilha de cinza, conseguiu localizar seu pai e o seguiu. Eles andaram muito tempo, até chegar ao limite do àiyé onde seu pai possuía suas terras. Neste exato momento, o pai apercebeu se que estava sendo seguido por seu filho. Mas este não pôde mais deter-se, atravessou o campo e, apesar dos gritos do pai e dos outros lavradores, continuou a avançar. Ultrapassou os limites do àiyé sem prestar atenção às advertências do guarda e entrou no òrun. Lá , começou uma longa odisséia no decorrer da qual o rapaz gritava e desafiava o poder de Òrisálá, faltando ao respeito a todos os que queriam impedi-lo de seguir seu caminho. Atravessou os vários espaços que compõem o òrun, veio cravar-se no àiyé separando-o para sempre do òrun, antes de retornar às mãos de Òrisálá. Entre o àiyé e o òrun apareceu o sánmó que se estendera entre os dois.O òfurufú, ar divino, é que separa os dois níveis de existência, o òrun do da vida. O èmi, a respiração, que diferencia um ará-àiyé- ser habitante do mundo- de um ará-òrun, ser habitante do além. Nas duas histórias que resumimos, o òrun, o além, residencia do sobre natural, é diferenciado do sánmó, a atmosfera, a massa de ar soprada por Òlórun. A palavra sánmó,indicando o céu-atmosfera fazendo par com a ilé, a terra, figura numa advinhação mito conecida na nígeria-yorubá,registrada igualmente por Abraham (1958; 625): mo s~u imi bààrá mo fi ewé bààra, trad: eu defequei excremento vasto, eu com folha vasta cobri. cuja a resposta é: ilé + sánmó, isto é , terra e céu; o excremento representa a terra ea folha que o recobre o céu. Temos assim dois pares de noções utilizados figuradamente de maneira extensiva: àiyé-òrun= mundo-além; ilé-sánmó= terra-céu. É comum referir-se à terra, como áiyé subentendendo-se que ilé, a terra, não compreende a totalidade do àiyé e que ao falar-se de òrun não se trata apenas do céu, mas de todo o espaço sobrenatural. O òrun é o doble abstrato de todo àiyé. òlórun, entidade suprema, o+ ni+ òrun, aquele que é ou possui òrun, não apenas um deus ligado ao céu como o pretendem certos autores, mas aquele que é ou possui todo o espaço abstrato paralelo ao àiyé, senhor de todos os seres espirítuais, das entidades divinas, dos ancestrais de qualquer categoria e dos dobles espirítuais, de tudo que vive. É, segundo esse conceito, que os mortos, oku-òrun ou awon ará ilé, habitantes da terra, espíritos da terra. As duas entidades sobrenaturais, que coletivamente representam os mortos e os ancestrais, Onilè e imolè, são representados por montículos de terra e é batendo ritualmente a terra que devem ser invocados os ancestrais a fim de que dela surjam e se manifestem.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Gelede - Patrimonio Cultural da Humanidade

O Gelede é realizada pela ioruba-nagô comunidade que está espalhada por Benin, Nigéria e Togo. Por mais de um século, essa cerimônia foi realizada em homenagem à mãe primordial Iya Nla e ao papel das mulheres no processo de organização social e desenvolvimento da sociedade ioruba. O Gelede acontece todos os anos após as colheitas, em eventos importantes e durante a seca ou epidemias e é caracterizado por máscaras esculpidas, danças e cantos, cantada na língua ioruba e retrata a história e os mitos do povo ioruba-nagô.

Fonte: UNESCO

ÌYÁMI ÒSÓRÒNGA, A MÃE ANCESTRAL.

Ìyámi òsóronga, a Mãe das Mães, a fonte de onde tudo se originou, o grande útero universal, a grande mãe ancestral. conhecer o culto a Ìyámi òsóronga é obrigação de todos os que levam a sério o culto aos Àwõn Orisá, todo aquele que pode ter a benção de conhecer este imenso poder e beleza da natureza do panteon yorùbá, é sem dúvida um abençoado, pois sabe a estrutura terrestre como um ser vivo, e aquele que pisa a terra e a terra lhe reconhece, jamais terá algum caminho errado em seu destino. Será beneficiado pela base de tudo no planeta. As iy´mi são energias que ocupam o espaço da estrutura terrestre. Quando direcionadas a formar qualquer processo de ritualidade possuem o objetivo de manter o domínio sobre toda e qualquer matéria manipulada. Dentro do culto mais tradicional yorúbá, nada se faz sem estruturar as 4 partes iguais do ambiente. Se o espaço gerado da estrutura básica de tudo o que existe pertence a elas, precisamos reverenciá-las antes de qualquer ato da litúrgia yorúba. Se caso desconhecemos esta técnica ou através de outro motivo, não o fazemos, o contexto no culto das ondas mentais se perdem no caminho, ao não haver um direcionamento preciso dentro do ritual, sendo assim o objetivo não é atingido. Muito mais que um mero conceito técnico ou mitológico, as iyámi são a manifestação do poder feminino no universo, e afinal de contas, o que seria este tão falado "poder feminino"?. O ofício do gênero na natureza ( macho e femea), é somente de criar, produzir, gerar, etc, e as suas manifestações são visíveis em todos os planos de f~enomenos. Muito se fala de pólos positivos e negativo. Estes termos são aplicados erroneamente pela ciência. A palavra positivo significa o que é real e forte, comparado com a polaridade negativa que seria então irrealidade e fraqueza. O chamado pólo negativo na verdade, é realmente o pólo no qual e pelo qual se manifesta a geração ou produção de novas formas de energia. Não há nada de NEGATIVO ao redor dele. As maiores autoridades no mundo da ciência, usam o termo CATÓDICO, evitando justamente esta confusão. E incrível que pareça, esta confusão se expressa na interpretação deste mito milenar que é o PODER FEMININO no universo ìyámi òsóronga. A função da parte masculina do universo parece ser a de dirigir uma certa energia para o principio feminino e assim por em atividade o processo criativo. Mas o princípio feminino é sempre o único que faz ativar a obra criadora, e isto é assim em todos os planos. Portanto somente abraçando o lado favorável das ìyámi conseguimos gerar gerar a quantidade de energia suficiente e ter uma repercussão divina dentro de qualquer ritual. As ìyámi, são tidas como a força da própia composição terrestre ( um elemento feminino), interligadas com a força gravitacional. Quando o ser humano tem consciência plena do peso específico; de sua mão, de seu pé, de sua cabeça, sem dúvida alguma, é uma pessoa afortunada. Pois com certeza alcançará a harmonia divina entre seu DEUS interno (Orisá) e a natureza, podendo assim conhecer as várias faces do Deus supremo ELEDUMARE em todas suas manifestações. E é esta a grande finalidade do culto yorubá, sendo muito anterior ao cristianismo, a idéia da religião aos`Àwon Òrisá é sempre de que as pessoas conheçam seu Deus interno (orisá) e que possam conhecer a manifestação deste Deus na natureza, seja raio, trovão, ou chuva, etc. A pessoa compreende em um sentido maior a presença de Deus no mundo, alcançando assim a "grande compreensão", a de se perceber parte de um todo e com um papel muito importante nesta estrutura-a manifestação de Deus plenamente. É através de ibá que se entra em contato com as iyámi. É um cântico sagrado que antecede a tudo que se faz no culto yorubá e visa a própia composição terrestre, para que as bençãos possam ser utilizadas na ritualidade. IBÁ ÌYÁMI ÒSÓRONGA !

quarta-feira, 3 de março de 2010

A RELIGIOSIDADE YORUBÁ

Os yorubás acreditam que nós existimos em um universo fechado e definível, o qual é influenciado por uma quantidade infinita de forças. Acreditam que existe um só Deus de onde se emanaram as forças constitutivas de todo. Acreditam que existem forças da natureza que são controladas pelos Orìsás, os quais por sua vez são manifestações parciais ( portanto limitadas) de Deus, mas que governam e atuam decisivamente nos negócios humanos e no universo em geral. Acreditam que os espíritos humanos sobrevivem após a morte e que podem reencarnar no mundo dos homens. Acreditam que os espíritos devem ser lembrados, honrados e consultados pelos seres humanos. Acreditam nos oráculos como meio de comunicação entre os homens e suas divindades. Acreditam no uso de oferendas e sacríficios para elevar suas orações aos Orisás e aos ancestrais. Acreditam no poder da manipulação mágica como método de comprensão da natureza e dos seres humanos. Acreditam no uso mágico e medicinal das plantas. Acreditam que a dança e a musica ritual são obrigatórias na adração a Deus. Entendem que Deus é uma idéia vasta demais para a comprensão da mente humana. Assim, eles pegam uma porção de Deus- um Orisá- e tentam, através da compreensão da parte, adquirir conhecimento do todo. Por exemplo, quando um africano vai a um rio e lhe oferece uma fruta, ele não esta adorando o rio, ele esta fazendo uma oferenda ao espírito do rio, ao Orisá do rio, aquela pequena parte de Deus que o rio exemplifica. Assim quando dizemos que o culto aos Orisás é uma religião natural, não significa que eles rezam para as pedras , rios ou arvores , no sentido literal do termo. O que os yorubás adoram, é a essencia de Deus nessas porções da natureza. Sua filosofia é a base da idéia que Deus deixou no rio ou nas arvores, o que também deixou em nossas cabeças, Força (àsé)- consciência (((((ábá)- luz (ìwá), algo que para os devotos aos cultos yorubás, sempre se pode e deve ser extraído e usado para melhorar sua vida e de sua comunidade. Toda a natureza diz algo, às pessoas, seja uma ordem, uma advertência ou sentimento de irmandade. Algumas manifestações da natureza fornecem para os seres humanos, no entanto outras, tiram. Por isso não existe neste sistema de crenças, a idéia de um mal absoluto ou um bem absoluto. este texto ,é fruto de uma apostila (oferendas) do professor luís carlos de osálá.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

IYEMANJA YÈYÉ OMO EJÁ


A figura africana da Grande Mãe dos Orísás, a Deusa dos seios chorosos está muito distante desta representação brasileira. Na África IYEMANJÁ é a grande mãe geratriz e provedora do sustento de toda a humanidade. Filha de Olokum a grande Deusa do oceano, divindade praticamente desconhecida no Brasil. Mãe dos rios, dona dos mares piscosos, propietária de todas as riquezas do mar. Iyemanja foi esposa de Orunmilá, o senhor do Oráculo e de Obá Olofim Oduduwá, antigo e poderoso Rei da cidade de IFÉ , com quem teve dez filhos, mostrando que a parte histórica se mistura com a mitica. Foi também esposa de Osalá, alusão ao simbolismo da fusão entre o céu e o mar, significando a fecundidade da natureza e a procriação da humanidade simbolizada pelos seus filhos: os peixes. Lenda: Uma de suas lendas conta que Iyemanja era casada com Obá Olofim Oduduwá, poderoso Rei de Ifé com quem tinha dez filhos , mas estava insatisfeita com seu casamento, mas tinha medo de deixar o marido e por seu instinto maternal relutava em desamparar os filhos. Olofim era um tirano que artomentava a vida de Iyemanja e esta, devido ao seu caráter altivo de soberana, já não suportando mais a submissão imposta, resolveu fugir para as terras do país de Abeokutá . Neste novo reino conheceu Okerê rei de Xaxi. Este apaixonou se por Iyemanjá pois esta era muito bonita e propôs-lhe casamento. Iyemanjá concordou com a condição. Que este nunca ridicularizasse seus seios que eram enormes por ter amamentado tantos filhos. Okerê concordou e tratava Iyemanjá com muito respeito, mas um dia , Okerê tonto de tanto vinho de palma que tinha ingerido, chegou em casa tropeçando em Iyemanjá que o chamou de bebado. Okere que já não sabia o que estava fazendo, começou a humilha-la dizendo: e voçê, com seus seios enormes, balançantes e trêmulos. Iyemanjá ofendida, pegou seus filhos e fugiu para não voltar nunca mais. Okerê vaidoso, não queria perder a esposa. Saiu atrás de Iyemanjá com seus soldados. Durante a fuga com seus filhos, Iyemanjá percebeu que Okeê colocara no seu encalço o exército para captura-la. Sua mãe Olokum, havia lhe presenteado tempos atrás com uma cabaça mágica para ser usada, caso precisasse, em caso de perigo e o mar iria em seu socorro. Ao sentir-se acuada e sem saída, Iyemanjá então abriu a cabaça e pediu ajuda a Olokum. Então do interior da cabaça a magia transformou Iyemanjá num enorme rio que corria em direção ao mar. Mas Okerê desejando vencer Iyemanjá transformou-se numa montanha, barrando o caminho do rio. Então Iyemanjá pediu ajuda a seu filho Sângo, que com um poderoso raio partiu a montanha em dois, e assim o rio seguiu seu curso para o oceano levando Iyemanjá e seus filhos para a segurança e a liberdade. Nos mitos yorubás sobre a criação do mundo, Iyemanjá é tida como a mãe e senhora de todas as aguas do mundo, sejam doces ou salgadas. Nas histórias mais antigas, o primeiro casal de Orisás que formou o mundo foi Obatalá, o céu, e Oduduwá a terra. Seus filhos foram Aganjú, a abóbada celeste, e Iemanjá, as aguas. Deste casamento nasceu Orungá, o ar atmosférico. Na África, o culto a Iyemanjá tem muitas variações , que variam de região , mesmo dentro da mesma grande nação yorubá, dividida em pequenas etnias. Por exemplo; a divindade do oceano é OLÓÒKUN, considerada um Orisá masculino na região de OYÓ e feminino da região da cidade de IFÉ. O culto a Iyemanjá originou-se no território de Abeokutá entre o povo EGBÁ, às margens do rio Ogum, que mais tarde transformou-o em culto aos ancestrais femininos , sendo fesrejado no festival GELEDÉ, estendendo-se assim por várias cidades. Assim como Osún, Iyemanjá é considerada a Iyabá da riqueza, da beleza e patrona da maternidade. Porém enquanto Osún tem o poder de seu asé ligado ao feto e ao parto, cuidando da criança nos seus primeiros anos, Iyemanjá se encarrega da segunda infancia e da sua educação. Diz-se que quando já é possível identificar o Orisá de uma criança através do oráculo, esta deixa de ser responsabilidade de Osún. Iyemanjá é a personificação da figura materna em toda sua extensão. Ela é considerada a mãe da humanidade. Na África é apresentada grávida, com as mãos no ventre e com os seios volumosos pela maternidade. ODÒ IYÁ, IYEMANJÁ, ATARAMAGBÁ AJEJÈ LOD^! AJEJÊ NILÊ! (MÃE das águas, IYEMANJÁ, que estendeu-se ao longe na amplidão. paz nas águas! paz na casa! ) .

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

IBÁ IYÀMÍ

IBÁ AKODÁ TO DA TIE LORI EWE akodá é o nosso primeiro ser criado, e foi criado sobre a folha IBÁ ASEDÁ TI TE TIE NILE PEPE asedá, aquele que criou o primeiro ser humano. lembrança sua sobre a terra.IBÁ IYÀMI ÒSÒRONGÁ minhas mães, todas poderosas, acima de tudo os meus respeitos. APANI MA HÁ GUN as que controlam, sendo plenamente, todas as forças terrestres AWON NI OLOKO KI ORU ATORI JAPA! ATEDO JOKAN que tudo seja a meu favor. da cabeça aos braços; do figado ao coração; da bílís ao anûs. ATIDI JORONRO EYE AKE GANAN RAN pássaros, imensos pássaros da sabedoria AGBO KEKE LORI IROKO MAYE iroko, grande árvore que está acima de todas cabeças AROHOHO ILE SE IRO EYE ABAPAYE terra que testemunha todos os acontecimentos e de tudo sabe ELESE IRO EYE A BIDE LENU WAKO WAKO wako wako, grande pássaro com bico de bronze AWON NI IGUN TI GUN OMO EJA NINU OMI preciso ao pegar os filhotes de peixe na agua AWON NI OYANYAN GANGA TI GUN OMO AKAN LODO pássaro consciente que pode alcançar , e alcança , o caranguejo no fundo do rio EMI MO ORUNKOO YIN EMA PAMI EMA PA AWON OMO O MI. não me mate, e nem aos meus filhotes MOJÚBÁ OKUNRIN. MOJUBÁ OBIRIN. sua benção macho universal. sua benção fêmea universal. IBÁ LOWO OGUNSO LEGELEGE TI O DORI KODO TIKO JÁ sua benção, aquela que inverte o homen internamente e nem assim ele morre IBÁ LOWO ILU GBEDU TI O DORI KOLE saudações ao rítmo da morte , e que minha cabeça não o ouça TI O WAMI LOJU GBURUGBU este som não tremerá de pavor minha visão MOJUBÁ ODUNDUN TI I DUN BI I EEGUN me abençoe o antepassado na sua paz que me faz vivo MOJUBÁ OLOLO TI LOHUN ORO me abençoe o poder que tritura o grão e toca o tambor. que eu não esteja ao meio de seu atrito. IBÁ LOWO ONA OMO OSOROROO JIRO respeitosamente reverencio o espaço além no universo de meu caminho. IBÁ LOWO AYEE! saudações ao que existe intensamente da terra ao sol, e que me reconheçam. que tudo seje aceito; sem desvio e que me abençoem.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

RELIGIÃO

É a crença na existência de uma ou mais força sobrenatural. É a manifestação de tal crença, através de doutrinas, dogmas, rituais própios, que constituem um culto. E como tal , estabelecem seus seguidores. É um conjunto de pessoas as quais creem numa mesma verdade, numa mesma força sobrenatural e através de sua fé fortalecem uma egrégora, entidade, força ou Divindade. A principio em nossas vida, nascemos e somos acalentando por nossos pais e familiares, e assim educados por eles segundo a seus principios e suas crenças. E isto é forte e profundo, pois familia é a base de tudo, mas ao nos tornarmos adultos, podemos ou não seguir outros caminhos. Isto não constitui falta de respeito, ´`a base familiar que nos foi doada e sim estabelece , o livre arbítrio, individualidade, liberdade de " ser". Seguimos então numa busca fervorosa, a definir profissão que mais nos realiza, a escolha de um par para constituir uma família sólida e duradoura, a aquisição de um carro, e de uma casa, emfim conquistas e concretizações de nossos desejos pessoais. Portanto através destas escolhas, experiências, somadas ao aprendizado infantil, familiar, constituimos as nossas verdades e acabamos por descobrir no que acreditamos. Isto é forum íntimo, pessoal e assim como temos a nossa fé em uma força, Divindade, as outras pessoas tem ou não. Não devemos julgar a crença e a fé de nossos semelhantes, assim como não devemos impor a nossa. A mãe natureza em sua sabedoria , semeia, germina, brota, e dar seus frutos a todos nós, sem se impor e independente de cor , raça, e credo. É importante que nós tomemos este exemplo, deixando o ego de lado e semearmos no jardim do eu interior o respeito por nós mesmos e pelas escolhas das outras pessoas. Pois como dito no início, religião é crença, é fé , é devoção pessoal e não um grito de discórdias, onde se discute qual a mais certa ou a melhor, pois como será que vê a entidade, a força, a qual se acredita?. Que a força estrutural da terra, seje por nós! eu saúdo a vós minha mãe encantadora e a todos nossos ancestrais.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

ÌBÁ (SAUDAÇÕES)

Ìbà `ilè! ilè mo pè o! ìbà Ìyámi Òsòróngá! Ìyámi Òsòrónga mo pè o ! Ìgbá-odù-lógbõgba, ìbà o!Òsà-mejì, òsá- l'òyèkú àti Osá-l'òfún kí to bí Ìyámi Òsòòróngá, ìbá. Moj júbà obinrin lòde olo Gèlèdé. Ìbá Ìyámi. Òhún àgb`wi fún àgba. Wa Àgba ´ngbá. Òhún ti mò wí l'òni njé se. Òhún m'òfé kóse l'òni. Jé! Kóribê! Ni orúnko ènyin Ìyámi Òsòróngá. Oló-hun d'olà! oló-hun d'olá! Òjo l'ojúmo, b'afé fó. Aki gbé pè Òrunmìlà. Kò gbé hu àgbè. Àse! TRADUÇÃO:Saudações à Terra! Terra eu te chamo! Saudações a minha Mãe do Pássaro da morte! minha mãe do Pássaro da morte, eu chamo você! Ao recepiente da existencia; igualmente , Saudações a vós! Òsá-méji, Òsá-l'òyèkú àti Òsá-l'òfún que deram nascimento a minha Mãe do pássaro da morte, saudações. Saudações Mulher do relento, Dona da Mascara. Saudações Minha Mãe. Além de justa desperdiça maturidade, além de saber relatar ao dia o que seja feito; Eternamente uma pessoa inteligente...Assim seja o dia! Vencer! Assim será! Em vosso nome ÌYÁMI ÒSÒRÓNGÁ. Possuidora de riquezas! Possuidora de riquezas! Frescor do dia com prazer virá à tona. Coragem erga-se e chame Òrúnmilá. Encontre bênçãos projetando-se sobre o fazendeiro. Assim seja!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

ORIKI TI ÌYÁMI ÒSÒRÓNGÁ

Olókiki-kàtákàta l'ekùn npa eran mã ni yan.Olú gbóhún-gbóhún ki ni Òsun ebá èjé.Osún-g' ó wo èw´`u èjé.l'pá eni tiko fe ki hun ká dùn.Ani e sìn òni kànge.Odò bara òto-lú.Omi a dake je pá eni. Omo Opaára Òga ti dâmu sese ìbà o! Ìbá Ìyámi o! N"ìmò moje ni koje ti Àroni. Èmí wa forí-bale fún sese, Olú-igbò-pé. Eleye kí ntúka ni lóke òrun. Ìyá tèmi mi ni gbá li àkókò. Enyin akoni alà molè-gbada.Èmi wá k'lyá onilè. ibà yin o. Àse! Àse! Àse! tradução. Famosa aqui e acolá, leopardo que mata o animal e continua a caminhar soberanamente. Chefe escuta, escuta, Òsun viaja no sangue, vermelho, vermelho, ela se veste com roupa de sangue, e mata a pessoa de má vontade de surpresa para que não resmungue a sua volta atormentando-a. Eu sei que ela conduz o dia de hoje e irá bater à porta. O rio agitado não é trapaceiro, ele avisa. A água calma deixa matar as pessoas . O filho de Òsun , Ògà ( o camaleão) que deixa perplexa ÌYÁMI, saudções! Saudações ìyámi! Aquela que sabe reponder o chamado de Aroni (espírito da floresta) Espírito venha curva se para ìyámi, a Dona da floresta. O passaro que se distancia no alto do céu. Minha mãe, eu a reconheço a qualquer tempo. Vós sois a pessoa forte que possui o brilho da espada. Eu vim aqui, mãe terra, saudar sua origem e disparar vossa arma. assim seja!

IYÁMI ÓSÓORONGÁ


ÌYÁMI ÒSÓRONGÁ, rítualisticamente falando, representa a força governante da terra que mantem o elo entre as pessoas e os elementos existentes na superfície.Mas, é preciso entender que, a terra em si, é a Guardiã Viva- o chão que se pisa é um chão que guarda os segredos dos Ancestrais, e daí, a necessidade de se pisar no chão com respeito para que não venhamos a provocar a ira daqueles que ocupam o espaço que ocupamos-"aquele que pede a bênção à terra reconhece a própia origem, reconhece a Mãe e sabe dar importância à cabeça e ao sangue que recebeu através da doação de Apári-Inu, cabeça interna- alimentada pelo cordão umbilical.`YÁMI é a essência feminina, ou uma força especial "sobrenatural"que atua na mulher para fazer fluir a vida, IYÁMI é o ovulo pronto para gerar a vida, nesse período-(tpm) a mulher torna-se sensílvel, chorona, dengosa.Mas quando ocorre a menstruação , IÝAMI percebe que seu óvulo não foi fertilizado, que o organismo o expulsou, e se torna agressiva porque isso representa a morte. E a vontade de IYÁMI é que os nascimentos de humanos sejam abundantes como os cardumes de peixes.-É preciso considerar que a natureza da terra -e feminina e que existe uma questão de leveza a ser levada em conta.Podemos tomar como exemplo, os peixes que são símbolos de um poder oculto que expressa a passividade ou tranquilidade,mas tambem de diversidade e fecundidade, e, por antiguindade, através da ancestralidade estão diretamente associados à vidae por consequencia a morte que é o ciclo vital utilizado para que a renovação expressa a relação com IYÁMI ÒSÒRONGÁ com o nome de YEMONJÁ, simbolizando a restituição através da encarnação e reencarnação dos "seres humanos" como portadores de corpo ou matéria, mas feitos com maior quantidade de ´´água (cerca de 70%)-- como a propia superfície da terra (cerca de 70%).ÒYÈKÚ-MEJI afirma que okun, o mar , é a morada de Egún, ancestral humano, e que todos devem voltar a sua origem. O mar é o maior cemitério.--Os "Répteis" aparecem como símbolos de agressividade, de força física brutal e agilidade. As "serpentes" são vistas como representantes do "fogo físico e ancestral" para perpetuação da essencia da "Alma Humana" e são a referência de IYÁMI ÒSÒRÓNGÁ como mãe purificadora e transformadora da vida, por possuírem um "poder agressivo e ao mesmo tempo, defensivo". Por serem animais rastejantes, mantêm-se em constante contato com o Òrísà da terra- Obàlúwáiyé, que é uma Divindade do fogo.Isto explica a natureza agressiva das serpentes, mas que , como meio de sobrevivência usam o propio veneno como "MAGIA CURATIVA".Por serem as"serpentes" representantes do "fogo da alma" estão ligadas a ÈSÚ ÒSÉ-ÒTÚRÁ que é a expressão máxima do fogo que movimenta a vida. ÌYÁMI, também através do fogo, esta relacionada ao culto de Ògún, `risà da modelação do ferro, da força física ou da força estrutural da terra que só pode ser apaziguada através do sangue derramado nos sacrífícios.ÌYÁMI possui instinto animal, por isto é sempre apresentada em forma de pássaro que tenha costume noturno ou por animais que produzam leite-por ser a Divindade da fertilidade também é vista com uma criança no colo- Senhora que é como um pássaro, representação ìYÁMI oSÒRÓNGÁ, QUE É VISTA COMO " O PÁSSARO DA MORTE". Porém, protetora dos filhotes, guerreira e caçadora, como por exemplo, a águia que não erra o alvo, sendo capaz de apanhar alevino no fundo do rio- isso significa que tem precisão.
Fonte: Texto retirado da apostila Ìyámi Osòróngá, de autoria de Orlando J. Santos D'ògún Dímólóko.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

OSUNMARE, A COBRA SAGRADA DAN

Osúnmare é o arco iris, sinal de bons tempos, de bonança. É o Orisa da riqueza, do dinheiro, , chamado carinhosamente de o banqueiro dos orisas.É a cobra sagrada Dan,orisa de prosperidade , fartura e lucro. O homem, que vive atrás do dinheiro, que trabalha para ganhar seu sustento, não pode imaginar, às, que tem esta força da naturezadiariamente ao seu lado.Osunmare está presente praticamente em todos os momentos de nossa vida, pois tudo gira em torno do dinheiro. OSUNMARE tambem é a beleza das cores, é o arco-iris, que vai colorir o céu , anunciando coisas boas. É o fenômeno da natureza que gera o colorido do céu, a hipnose da cobra, a felicidade dos lucros. osunmare egô bejerin fonná díwo . trad: o arco-iris que se desloca com a chuva e guarda o fogo no punho. a ro bo bo i....

OSUN DEUZA DO AMOR

Osun, Deuza do amor e da sedução, dona das riquezas fluviais, divindade símbolo da beleza e da graciosidade. Seu principal emblema é um espelho em forma de leque, o abebe, que segundo afirmam, representa uma cabaça em forma de ventre, simbolizando os segredos da gração dentro do útero. Osun é um orisa que tem seu berço na região da nação de Ijexá e Ijebú-Nígéria, onde corre um rio com seu nome, em cuja margem está localizada a cidade de Oshogbo, templo principal de seu culto.Suas histórias e lendas a fazem ligada a varios Orisas com quem tem grande afinidade como Osóssi,Ogum,Xango,Orunmilá, e Esú. Ela é a enhora responsavel e princial protetora da fecundidade e da maternidade, assim como, Yemanjá, tanto da terra, através da irrigação, por exercer seu poder sobre todas s aguas doces, imprescindíveis para a vida neste plnta, como das mulheres, propiciando assim a continuidade da vida.Sempre evocada para se conseguir boas colheitas assim como um bom número de filhos, símbolos de prosperidade na cultura yorubá.Mas ao contrário de Yemanjá, a ela é atribuida a proteção também das crianças desde a fecundação, o desenvolvimento do feto até o nascimento.Apesar de reconhecida como a patronesse da maternidade, um de seus orikí, enfatiza a sua vaidade acima de tudo, quando diz:Osun lava suas jóias antes mesmo, de lavar suas crianças;Como uma ninfa africana, Osum é a dona do ovo, a maior célula viva, símbolo maior da capacidade reprodutiva da natureza, carregando consigo também todos os predicados da beleza, riqueza e portanto da projeção social.Na estreita relação dos Orísas com as forças da natureza,podemos comparar Osum com um grande rio que apresenta várias faces por todo o seu curso:desde a nascente com águas limpídas e transparentes que deslizam com graça, representando as nuances de Osum jovem, evoluindo para cursos mais maduros e piscosos, que fecundam as terras por onde correm, apresentando em várias ocasiões trechos encachoeirados, como uma divindade belicosa ,ruidosa e perigosa de se enfrentar, semelhantes aos Orisas guerreiros e imtempestivos, até progredir para a ampla maturidade dos rios largos e barrentos, próxima a seeeeenelitude, cuja profundidade aparece como um soturno místério díficil de decifrar, até alcançar a foz plácida dos maguezais, onde a agua doce do rio mistura se com as aguas salgadas do mar, tornando se salobas e lamacentas, remetendo-nos a ancestralidade do Orisa Nanã, senhora da morte e consequentemente da renovação da vida no eterno ciclo das águas.Por isso uma das caracteristicas de Osum é a sua imprevisilibidade, dizendo-se assim possuir um temperamento caprichoso e voluvel que varia da placida benece das aguas fecundantes á furia das enchentes que destroem tudo em sua passagem. Osum também é chamada de ÌYÁLÓÒDE, título queé compartilhado por suas filhas nas comunidades africanas e que designa a mulher líder do grupo feminino dentro de um espaço social. As cantigas e danças de Osum são melodiosas e suaves, especialmente as que tem o rítmo de Ijexá. Seus movimentos graciosos lembram a vaidade e a sensual coqueteria das mulheres belas e elegantes, mimetizando gestos de comtemplação num espelho, enfeitando-se durante um banho no rio ou o lento remar numa canoa.Osum é cultuada com acentuado fervor dentro dos candomblés.Quando manifestada ,nas casas de culto é tratada com muito dengo e carinho, como não poderia deixar de ser , pela sua postura delicada e elegante que as belas e poderosas mulheres geralmente tem. Uma caracteristica muito especial deste Orísa é uma implicancia muito grande que esú tem com Osum, perseguindo suas filhas com maior constancia do que faz com os demais Orisas.Isso se explica pela falcudade que Osum tem de também poder consultar o oráculo de Ifá, pois uma antiga história conta que IYAPETEBI-OSUM,era esposa de Ifá e como este, muito atarefado que era, não conseguia atender a todos que o procuravam, as pessoas procuravam Osum para que lesse a sorte para elas.Osum queixando-se com seu marido que não podia atende-las, fez com que Ifá lhe desse dezesseis coquinhos de dendê e lhe ensinasse o jogo. Então Ifá pediu a Esú que respondesse a todas as perguntas que Osum lhe fizesse.Esú muito contrariado aceitou, mas desse dia em diante passou a perseguir Osum com furor redobrado.Otras lendas nos contam que Olorum deu a Osum o controle da fertilidade e a gestação, sendo assim , os seres humanos são protegidos por ela desde a concepção e durante toda a gestação no interior do útero até o parto. Após o nascimento esse Orisa acompanha a criança até que esta possa caminhar sózinha, representando portanto o cerne do instinto maternal.Osum protege também todos os orgãos repro-dutores femininos e regula a menstruação. Oferendas lhe são feitas com o objetivo de facilitar às mulheres o sagrado dom da maternidade, caracteristíca extremamente valorizada nas culturas tradicionais yorubá.Esse poder de reproduzir a vida concede àmulher uma capacidade de se tornarem melhores feiticeiras do que os homens, além de lhes ser natural a intuição, um sexto sentido muito desenvolvido.Assim, Osum é considerada na cultura yorubá uma feiticeira por excelência, a maior de todas no panteão africano, sendo muito estreita a sua relação com Iya-mi Oxorongá, com a qual muitas vezes é confundida.Um ditado muito comum na África nos diz que tudo o que sai da boca de Osum tem que ser levado muito a sério, pois no poder de sua palavra pode estar contido muitos presságios e sortílegios.ORA YEYE OOOO

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

AS OFERENDAS

Dentro do culto aos Orixás, o mais importante são as oferendas aos Orixás, que têm por finalidade manter o equilíbrio das relações entre eles e os seres humanos.

É através das consultas ao Oráculo de Ifá, que as pessoas, mesmo as não iniciadas, são informadas a respeito das exigências de seus Orixás e principalmente de Exú, relativas às oferendas que desejam receber.

Nem sempre estas exigências são estabelecidas pela relação anteriormente explicada entre o ser humano e seu Orixá de cabeça, muitas das vezes, é um outro Orixá quem se oferece para solucionar um determinado problema ou alguma dificuldade que está sendo vivenciada e, em troca, exige algum tipo de sacrifício em seu louvor.

Algumas vezes, pessoas atormentadas pelos mais diversos tipos de dificuldades, recorrem aos préstimos de algum Orixá, oferecendo algum tipo de sacrifício como penhor de sua confiança e de sua fé, da mesma forma que os católicos recorrem aos seus santos, implorando graças e fazendo promessas que, invariavelmente, são pagas somente após a obtenção da graça solicitada.

Os sacrifícios oferecidos aos Orixás, são genericamente denominados “ebós” que se dividem em “ejenbale” (sacrifícios com derramamento de sangue) e “adimús” (sacrifícios incruentos).

Os ebós ejenbale, dividem-se em diversos tipos, exigindo sempre o derramamento de sangue de algum tipo de animal que pode ser uma ave, um quadrúpede ou até mesmo um simples caramujo. Dentre os mais conhecidos, destacamos:

Ebó ejé: Oferenda votiva que tem por finalidade obter determinado favorecimento ou graça de uma Divindade.

Ebó etutu: Sacrifício de apaziguamento. Este tipo de sacrifício é geralmente determinado pelo Oráculo e tem por finalidade acalmar a ira ou o descontentamento de uma entidade qualquer.

Ebó a ye ipin ohun: Sacrifício substitutivo. Tem por finalidade substituir a morte de alguém pela oferenda determinada pelo Oráculo, no Brasil, este sacrifício é vulgarmente conhecido como “ebó de troca”.

Ebó ba mi d’iya: Sacrifício que visa atenuar uma punição de morte imposta à uma pessoa por um Orixá ou por um espírito maligno. Neste caso, como no anterior, um carneiro é sacrificado em substituição ao ser humano.

Ebó Ogunkojà: Sacrifício preventivo que pode ser público ou individual. Tem por finalidade evitar qualquer tipo de acontecimento nefasto que ameace a pessoa (individual) ou até mesmo uma cidade ou aldeia (público).

Ebó a d’ibode: Trata-se de um sacrifício propiciatório e preventivo. Este sacrifício é oferecido na fundação de uma casa, aldeia ou cidade e tem por finalidade acalmar os espíritos da terra no local da fundação. Antigamente, este ebó exigia o sacrifício de seres humanos que hoje em dia, foram substituídos por diversos animais.

Como podemos observar, o sacrifício de seres humanos era exigido nos primórdios do culto o que, sem dúvida, seria hoje considerado um absurdo, além de configurar-se, seja em qual for a circunstância, em homicídio, selvageria e falta de respeito ao ser humano.

Da mesma forma, o derramamento do sangue de animais, só deve ocorrer em situações de extrema necessidade e em casos em que não possam ser substituídos por outras oferendas pois, se os Orixás, acostumados que eram a receberem sacrifícios humanos, concordaram na substituição dos mesmos pelos sacrifícios de animais, é fácil deduzir-se que estes podem também dar lugar a sacrifícios de minerais, vegetais e objetos de seu agrado.

Adentramos uma nova era em que todas as formas de vida adquirem sua valorização máxima e a vida dos animais, da mesma forma que a dos seres humanos, há que ser respeitada e preservada ao extremo. É chegada a hora de darmos um basta ao inútil derramamento de sangue que, ao invés de apaziguar os nossos deuses, só conseguem despertar a sua ira, tornando-os intolerantes e cada dia mais distantes de nós.

É necessário que se desperte nos adeptos do Candomblé a consciência do respeito devido a todas as formas de vida animal, cujo sacrifício só pode ser efetivado em casos excepcionalíssimos e quando todos os demais recursos hajam sido esgotados.

É num itan de Ifá, do Odu Odi Meji, que encontramos a fundamentação para as afirmações anteriormente feitas:

Odi Meji disse: “Metolõfi, por avareza, não quis sacrificar um boi de malhas brancas e a morte veio buscá-lo.”

Quando Ifá estava ainda no ventre de sua mãe, pediu que seu pai pegasse um boi malhado de branco e oferecesse em sacrifício, a fim de evitar que dentro de três anos, uma guerra viesse dizimar o seu reino. Seu pai negligenciou o sacrifício e no dia do nascimento de Ifá, seu pai morreu e sua mãe foi capturada como escrava.

Três anos depois, a guerra arrasou o país e Ifá mandou que Ajinoto, a parteira, o encerrasse dentro de uma cabaça, de forma que ninguém o pudesse ver. A parteira foi encarregada também, de avisá-lo logo que alguém passasse por perto, para que ele revelasse ao passante, a causa de seus sofrimentos e os remédios e sacrifícios que resolveriam todos os seus problemas.

Tudo ocorreu da forma como Ifá planejara e o homem que passou naquele local, não hesitou em levar para sua casa, a cabaça onde Ifá havia sido encerrado.

Para deslumbramento de todos, Ifá, de dentro da cabaça, dava conselhos, receitava medicamentos e resolvia os mais difíceis problemas.

Um dia Ifá ordenou que alguém se dirigisse ao mercado onde, pelo preço de quarenta e um caurís, deveria comprar sua mãe que estava sendo vendida junto com outras escravas. “A primeira mulher que for oferecida deve ser comprada, pois esta é minha mãe.”

Naquela época Ifá costumava aceitar sacrifícios humanos no festival de Fanuwiwa.

Quando a escrava adquirida no mercado foi trazida, Ifá ordenou que lhe fosse entregue uma certa quantidade de milho, para que pilasse e transformasse em farinha destinada à preparação o amiwo.

Enquanto pilava o milho, a mulher ouvia os fiéis invocando Ifá:

“Orunmilá! Akefoye! Agbo wi dudu hu do fe to!” (Orunmilá! Akefoye! Se teu nome é Ifá, jamais esquecerás de mim!).

Reconhecendo em Ifá o seu próprio filho, a pobre mulher pôs-se a cantar, em voz alta, a saudação que ouvia:

“Orunmilá! Akefoye! Agbo wi dudu hu do fe to!”

As pessoas contaram a Ifá sobre a mulher que cantava aquela saudação enquanto pilava o milho e Ifá ordenou que ela largasse aquele trabalho e que, no dia seguinte pela manhã, chamasse por ele junto com seus fiéis, para que pudesse mostrar a todos de que forma deveria ser corretamente alimentado. Ordenou ainda, que fosse preparado um akpakpo e dois panos brancos de cabeça denominados kpokun abuta, proibindo a todos de olharem para aqueles objetos.

Como Ifá vivera, até então, fechado dentro de sua cabaça, jamais havia sido visto por ninguém. Quando todos se afastaram Ifá saiu de sua cabaça coberto por um grande chapéu, vestindo um avental de pérolas e calçando sandálias, indo sentar-se no alto de um tripé de onde gritou:

“Olhem bem, sou eu, Ifá! Ifá que ninguém nunca viu… A mulher que mandei comprar no mercado de escravos deve ser trazida até aqui!”

A mulher foi trazida à sua presença e Ifá mostrou-a a todo mundo dizendo:

“Olhem bem, esta é minha mãe! Quando eu estava no seu ventre determinei que meu pai deveria sacrificar um boi malhado de branco, para evitar malefícios que já estavam previstos. Mas meu pai não atendeu minha orientação e todo o mal acabou por se concretizar. Tanto tempo se passou e eu comprei esta escrava para ser sacrificada em minha honra. Entretanto não a sacrificarei! Não poderia trair minha própria mãe, mesmo que ela me tenha traído.”

Dito isto ordenou que cortassem os longos cabelos de sua mãe, que envolvessem sua cabeça com um belo torso branco e que a instalassem sobre a almofada akpakpo. Depois pediu um boi e um cabrito para serem sacrificados. Com a farinha moída por sua mãe mandou preparar um amiwo para ela, que não poderia ser comido em sua presença.

Desta forma, assentada sobre um akpakpo, transformou-se ela em Nã, mãe de um rei.

Aos jovens que prepararam as carnes do boi e do cabrito, assim como o amiwo, ordenou que fosse dado uma parte de cada coisa, para que comessem depois da cerimônia. 1

A velha disse então a seu filho, que sentia-se muito envergonhada, pois não merecia tantas honrarias e que naquele dia iria encontrar-se em Ló (local para onde vão os espíritos dos mortos), com seu finado esposo.

“A partir de hoje, quando fizerem uma cerimônia em minha honra, digam: Nã kuagba! (Nã seja bem vinda!), e virei receber as oferendas.” – Disse a mulher.

Nã disse ainda, que faria o Sol tornar-se mais brando ou mais quente, comandando-o de cima de seu akpakpo.



A partir de então, realiza-se sempre o ritual de Xe Nã (dar comida à Nã), quando terminam os festivais Fanuwiwa. 2
Este Itan de Ifá fundamenta a possibilidade de substituição do sacrifício de um ser humano pelo de animais, o que nos leva a concluir a possibilidade da substituição do sacrifício destes por outros tipos de oferendas, partindo da premissa de que o ritual é criado pelo homem e não pelos deuses.

Isto posto, passemos ao assunto que é, na verdade, o principal objetivo do presente trabalho, a apresentação de uma vasta relação de oferendas incruentas aos Orixás e a outras entidades cultuadas no candomblé.

O assunto será tratado de forma direta, através de um receituário contendo os ingredientes, o procedimento e o objetivo de cada trabalho, assim como à qual entidade deve ser oferecido.

1 – Depois das cerimônias de Nã, aqueles que preparam os alimentos a ela oferecidos, recebem uma pequena parte destes alimentos, parte esta que recebe o nome de kle ou kele e que só pode ser consumida depois que o Vodun for servido. (Este rito acompanha as cerimônias às divindades nagô sob o nome Atowo e às divindades fon sob o nome de Nudide).



2 – Itan coletado por Bernard Maupoil na região onde hoje fica a atual República do Benin e publicado em sua magnífica obra sobre o sistema oracular de Ifá, ”LA GEOMANCIE À L’ANCIENNE CÔTE DES ESCLAVES”

Ifá o Òrìsà do Destino - Introdução

Òrúnmìlà-Ifá, ocupa uma posição única no panteão africano, através dele podemos decifrar o código secreto espiritual de qualquer ser humano, comunidade ou Nação, pois nele está inciso o poder da criação.

Na ordem divina de Olódùnmarè o espírito é eterno, e através de Òrúnmìlà-Ifá conseguimos obter a soma total de nossa existência, a nossa ligação com o Universo, e o destino que escolhemos para voltar a vida quando nascemos. Ele é o diagnóstico de nosso Elédà (mente superior), sabendo tudo o que aconteceu no passado, está acontecendo e qual será o nosso futuro. Òrúnmìlà-Ifá é a tradução da sabedoria infinita de nosso Deus criador, aquele que tudo sabe, tudo vê, é o verdadeiro elo de ligação entre o homem e o criador.

Na Cultura Yorùbá são os elementos da natureza que dão condição de vida no planeta, a água, o fogo, o ar, e a terra. Estes se apresentam de inúmeras formas que se multiplicam primeiro em dezesseis, sendo o número dos primeiros Òrìsà primordiais, que vieram para ajudar a construção do planeta sob todas as formas de vida, ou os dezesseis Odù, a tradução literária de todos os problemas do homem, e neles estão contidos toda a sabedoria da criação.

Ifá transmite sua palavra através dos dezesseis Odù, e estes são a expressão da natureza que é a fonte de energia que movimentará e determinará a personalidade da pessoa. Estes Odù, multiplicados por mais dezesseis perfazem 256 tipos de divindades diferentes entre si, com atributos próprios e cada um conterá uma complexidade de inúmeros caminhos ao qual servirão para auxílio da raça humana.

Em nosso princípio ancestral, todos nascemos da terra, veja a composição de seu organismo que é composto de água, minerais, ferro, e assim por diante, portanto é natural que para encontrar o equilíbrio de nossa vida também façamos uso dos elementos que saem da própria natureza. Toda a criação Divina tem uma função determinada para auxiliar a sobrevivência em equilíbrio entre as forças negativas e positivas.

Na tradição africana, por tudo o que já foi dito, Ifá é um Órìsà muito venerado. Em sua terra (Ilé-Ifá) existe um templo muito antigo onde todas as sextas-feiras as pessoas vão rezar para a paz no planeta. Como nada será feito de importante sem antes consultá-lo, quando um bebê nasce, entre o terceiro e quinto dia após seu nascimento ele é levado ao Bàbáláwò para que se faça uma consulta a fim de saber qual será o destino desta criança, recebendo tratamento para que o rumo de sua vida seja o melhor possível.

Qualquer caso de saúde, casamentos, financeiro, amoroso, depressão é revelado através de divinação, que além do problema apresentará as possibilidades de melhorar a situação determinando o que poderá ser feito para atrair a sorte, a paz e a felicidade de cada um.


O Culto a Ifá envolve as oferendas, proteções que são feitas com as magias, e a cada novo ano ele será consultado para saber o futuro da comunidade. Sua importância é tanta que será através da consulta ao Òrìsà que um novo rei será eleito, uma vez que pode conhecer a pessoa ideal para ocupar qualquer cargo tanto como um líder, ou outro tipo de ocupação, estas são marcas que já trazemos de nosso espírito ancestral.

Se após a consulta for determinada a realização de algum sacrifício para um Òrìsà, não se pode esquecer a parte dedicada a Èsù, pois ele é a energia que transformará a sua necessidade, enquanto matéria, em energia sutil a fim de que seu pedido chegue a Olódùnmarè.

Ele é simbolizado por trinta e dois caroços de um tipo especial de palmeira de dendê, os quais apresentam três ou mais "olhos", ao invés de apenas dois, como nas palmeiras comuns. Antes de serem servidos ao Òrìsà, os caroços deverão ser preparados especialmente no bosque de Ifá, para só depois serem manipulados pelo Sacerdote de Ifá para fins de divinação, e só podem ser extraídos por homens.

Quando uma leitura não favorece o consulente, não é necessário ficar em desespero, pois Ifá poderá ser consultado novamente para informar qual o melhor procedimento para eliminar o obstáculo que lhe entravam a felicidade. O animal necessário para o sacrifício só será determinado através da divinação, e após ser efetuado, o consulente deverá apresentar-se mais uma vez perante o Òrìsà a fim de saber se ele se satisfez.

Entre nós, os Yorùbá, os Sacerdotes dedicados a Ifá pedem sua benção todos os dias pela manhã, e uma vez por ano promovem uma festa em sua homenagem.

Obì, é um fruto sagrado também considerado Òrìsà, e o de quatro gomos são suficientes para o seu culto diário. Todas as manhãs o Sacerdote colocará um Obì dentro d´agua e começa a bater no Opon-Ifá, com o Iroke-Ifá.

Enquanto bate recitará um Oríkì (evocação) a Ifá como abaixo descrito em lingua Yorùbá

Ti a ba ji a we´wo toni, a we´se kasin owuro
Ti a ba ji, a tun wa fi aso toki bo`ra
Mo ni Òrúnmìlà, o ji re loni
Ela, o ji´re loni
Morohuntolu, Mosiakaragba, omo erin nfon gu l´alo
Omo e ekama owo ko jékun ara abe
Omo abeto winniwinni b´eji ro p´omo akunnu
Omo olobe to fi ori mo odi umo jumo
Oma jire loni o
O ji re loni tokun-tokun
O ji loni tide-tide
O ji bi oloto ti nji nile Ado
O ji biurinrin ti nji lode owo
O ji bi peepee ti nji lodo Asin
O ji bi Olosunta ti nji lode Ikere
O ji bi ala ti nji lode Ado (Ibini)
O ji bi oro gidigba ti nji lode Isele
O ji bi Ubebe ti nji lode Ayo
O ma jeki oni san mi o

Logo após a evocação o Bàbáláwò parte o Obì, que se for do desejo poderá ser jogado para saber se o culto foi bem aceito, e esta água levada a Èsù. Se aceito o Obì cairá com dois gomos virados para baixo e dois gomos virados para cima (imagem da dualidade macho e fêmea) caso o resultado seja Aláàfia, ou seja os quatro gomos virados para cima, Ifá terá aceito o Obì, quando então o Sacerdote dividirá o Obì entre todos as pessoas que irão consultar com ele iniciando os trabalhos do dia.

Na comemoração anual de Ifá, o sacerdote oferece em sua homenagem: màrìwò, frango, peixes, cabra, Ìgbín (caracol), inhame, osuka omu, pedaço de tecido e Obì. O osuka omu, será colocado sobre a imagem de Ifá junto com três inhames amarrados, e assim o Bàbáláwò pronunciará as palavras do culto que em Yorùbá são:

Ifá, mo pe o
Òrúnmìlà, mo pe
Ela mo pe, omo oyigi
Òrúnmìlà mo pe
Et'eti ke gb'ure
Aaya olupe, uupe re ire o
Aaya olupe uupe re ire o
Aaya olupe, pe re ire o
Apeje apemu
Ape ni gbogbo dukia ninu odun yi
Ki o ni apawisi ioni
Ki o ni uwere a nise
Ki o ni wonran niboju ti nmo
Ki o wa gbohun awo loni

Após encerrar esta evocação o Bàbáláwò reza para todos os presentes na festa e partirá o Obì aceito por Ifá, distribuindo pequenos pedaços a cada um. Como oferenda será imolada uma cabra em cujo sangue ficará na imagem de Ifá até o dia seguinte.

Quando chegar ao quinto dia, o Bàbáláwò consultará Ifá, a fim de obter as previsões do ano, e de acordo com o resultado serão oferecidos novos sacrifícios e oferendas de objetos, conforme a resposta do Òrìsà, para que tudo transcorra da melhor forma possível.

No sétimo dia o Bàbáláwò oferece uma festa, na qual se come e bebe encerrando desta forma o Culto anual a Ifá.

Poderíamos falar muito mais sobre Ifá, mas deixo aqui meu e-mail para que entre em contato através do qual darei mais informações e orientações seguras e verdadeiras sobre este Òrìsà.


Para aqueles que receberam em seu Orí, a mão de Ifá, após passarem pelos rituais de iniciação, podem ser considerados portadores de um bem inestimável, com ele reencontrarão o caminho de seu destino primordial, puro, limpo de todas as mazelas que adquirimos durante a vida; é um reencontro com nossa transcendência. Mas, é necessário esclarecer que para fazer juz a este direito também será preciso uma altíssima reconsideração de suas atitudes perante a vida, pois este ser não fará mais parte daquilo que chamamos do inconsciente coletivo que prevalece na raça humana, a partir de então passará a ser ele um indivíduo único, diferenciado, o qual terá de cumprir suas obrigações em relação a Ifá com respeito e dignidade a fim de poder receber o verdadeiro Àse e como conseqüência assumindo perante a si próprio responsabilidades muito grande, que se não cumpridas poderão trazer graves conseqüências.

Entendendo o Orí:

Quando nascemos, o Orí (cabeça), é o primeiro Òrìsà que recebemos, nele trazemos as impressões que estão gravadas no inconsciente, a nossa origem no universo. Ligados a ele por nosso Elédà, (mente superior), e fonte da inteligência para a sobrevivência no Aiyé (Terra), e dele (Orí), geramos toda a força propulsora que nos conduz em nossa jornada não somente para a vida em si mas também na saúde, prosperidade e equilíbrio, o qual está diretamente ligado ao Òrum (Céu), portanto aquele que conhece o próprio destino, da mesma forma que nos conduzirá na passagem do mundo físico ao espiritual, Ikú (a morte).

Assim, Orí = origem do ser = Elédà ( mente superior), está ligado ao Òrum, e ao mesmo tempo ligado à Terra (Aiyé), sobrevivendo após a morte para transmutar a morte física para a vida do espírito, e desta forma guardando em sua memória as marcas de sua origem.

"O pensamento provoca a ação", "a ação provoca a reação", e todos os frutos colhidos serão a resposta de nossa conduta, de nosso equilíbrio tanto mental como emocional, e isto é ter bom Orí, que saudaremos Olorire, e para aqueles com um mau Orí diremos Olori Burúkú, aquele de cabeça ruim, fraca.

Olódùnmarè, nosso Deus maior nos deu a perfeição, deixando conosco a sabedoria transcendente, a qual somente poderá ser compreendida com um bom Orí, assim diz o Oríkì (reza), "Nada se faz sem um bom Orí," nem mesmo nosso corpo tem comando, não anda, não prospera, não tem alegrias, não tem saúde.

Ifá em nossa vida

Ifá, é a soma da sabedoria suprema, a cosmogenia e a cosmologia, a vida e a morte, o nascimento da natureza, a visão total do mundo e da existência estabelecendo normas éticas que irão comandar as sociedades e os homens, e assim determinando uma conduta nobre diante de todas as forças que se formam contra o bem da humanidade, a força que conduz a sustentação do planeta vivo.

Neste processo tão poderoso, aquele que for iniciado em seu Culto estará agregando a si uma permissão para obtenção de um poder muito maior perante Olódùnmarè, assim existindo a necessidade por parte dos Sacerdotes conhecedores plenos da extensão deste mesmo poder avaliarem o candidato com muita clareza e assim permitindo ou não esta iniciação.

Nem todos estão habilitados a carregarem em seu Orí, esta força que liga o ser com o sagrado. Seus Sacerdotes, apoiados nos conhecimentos milenares, carregados por uma cultura de tradições em botânica, mineralogia, zoologia conseguem unir os elementos da natureza à energia vital de cada indivíduo procurando o equilíbrio entre as forças espirituais e materiais de cada um, esta união da ciência com o mundo espiritual precisa de mentes sãs.

A Conduta dos Filhos de Ifá

Fica assim muito claro que para estes filhos a conduta é de suma importância, e que haverá a necessidade de muito domínio de suas emoções onde a humildade, a paciência, o caráter, a dignidade, a sabedoria, deveram ser superiores a qualquer tipo de vaidade, prepotência, arrogância, ambição, sendo estas últimas características que poderão ser usadas indevidamente a fim de obter proveito próprio mas que sem dúvida serão cobradas pela lei universal de ação e reação.

Quando se fala que o Òrìsà castiga, é uma inverdade, pois na realidade a maior parte do sofrimento é fruto do desequilíbrio entre a emoção e a razão humanas, e conforme as atitudes tomadas perante seus semelhantes as forças que irão reagir em sua vida tanto poderão ser positivas como negativas, conquanto serão um fruto do seu bom ou mau Orí, a resposta daquilo que você é.

Em nosso mundo Ocidental achamos que o valor do homem está na obtenção somente de bens materiais, e para o consumo destas necessidades não se mede esforços nem os meios de alcançá-los, mesmo que muitas vezes as formas usadas sejam totalmente incompatíveis com as Leis Superiores. Não há respeito nem pela natureza, nem com seus semelhantes.

Na África, no entanto existe em seu povo a Consciência Plena dos compromissos que existem entre as forças da natureza e os homens, e que o verdadeiro bem não está em usar estes poderes de uma forma inconseqüente, explicando-se assim sua simples forma de vida, os verdadeiros valores do homem não estão em sua conta bancária, mas em seu Elédà, no uso da sabedoria adquirida não somente para o bem de si próprio mas para manter o equilíbrio do planeta.

A terra é a sustentação da vida, todo o mundo físico está sobre ela, carros, asfaltos, prédios , plantação ou qualquer outra coisa, isto tudo faz parte da ilusão do homem, sua maior riqueza está na natureza, sem ar ele não vive, sem terra ele não anda, sem fogo ele não tem progresso, e sem água ele não nasce.

O ser humano vive obcecado dentro de suas ilusões, por isto ele adoece, trapaceia, chora, e ri, deixando-se levar por valores que não são dele mas da condição de uma sociedade, a sua origem pura está perdida em meio a tudo isto e o desequilíbrio se instala em seu Orí, gerando a inveja, a ansiedade, a impaciência, a depressão, ele é um ser desconectado de seu Eu interior (Elédà), sem isto não consegue ouvir sua própria consciência e chegar verdadeiramente a Deus.

Quanto mais nos aprofundamos conseguindo entender a grandeza da sabedoria divina, mais distantes estaremos das banalidades, uma vez que a riqueza já está codificada dentro de nossa alma, é uma força sutíl que nossa sensibilidade grotesca não consegue perceber, e como resultado não temos paz, felicidade e prosperidade.

Antes de qualquer compromisso com Ifá, esta pessoa deve estar informada e preparada para assumir esta conduta.

A lealdade com o princípio Divino, estará acima de tudo.

A Transformação dos filhos Iniciados em Ifá:

No momento da iniciação o destino vivido por esta pessoa até então, estará sendo limpo, enterrado, dela serão tiradas todas as forças contrárias, e haverá uma mudança no trajeto até então vivenciado, fazendo com que seu Orí encontre o destino do momento de sua concepção, apagando as imperfeições conseqüentes de sua vida refletida pela sociedade onde nasceu, cresceu e vive para reencontrar a sua origem perfeita.

Mas para que esta força de fato venha adentrar em seu Orí e passe a fazer parte de sua existência estes novos filhos deverão procurar além de cumprir leis, entender, estudar o sentido desta filosofia para que a magia desta iniciação prevaleça neste Orí, sendo ela independente de seu Órìsà Guardião.

Ifá, é um culto tradicional considerado a fonte de todas as outras formas de adoração, é um livro de orientação, um roteiro, que trata você como indivíduo único e através do qual receberá suas regras de conduta pessoais Ewos, (leis) de acordo com sua origem ancestral, leis estas que irão levá-lo a obtenção da realização de sua felicidade de acordo com sua própria história e missão.

Aqui não pode haver a alimentação de sonhos que não fazem parte de seu destino, mas a leitura daquilo que você sempre foi, desde os primórdios e a busca de seu aprimoramento através das soluções apresentadas nos jogos divinatórios de Ifá. Assim em nada se parece a qualquer religião, associações ou fraternidades que existem, onde todos são tratados como massa independendo da inteligência, e onde seu Eu Interior não é respeitado.

O aprendizado correto da forma de sua cultuação requer um grau elevado no domínio de seu comportamento já cheio de vícios de personalidade este é o verdadeiro Àse, o nascer novamente com a maturidade e a consciência adquirida e poder reformular sua vida de forma a satisfazer sua vida.

Ritual de Iniciação em Ifá:

Primeiro o candidato será apresentado ao sacerdote, que jogará então o Opele-Ifá, e através dele terá a visão plena das condições necessárias para que este Orí possa receber esta iniciação. Jamais esta avaliação será feita através do jogo de búzios como é de costume aqui no Brasil.

Uma vez aceito, esta preparação será feita com um mês de antecedencia, quando então o sacerdote irá para a floresta sagrada à procura das sementes também sagradas, o Ikin, e então passadas por rituais que somente os Bàbáláwò podem executar.
Estas sementes são dotadas de três ou mais olhos (3.º olho, Iwa Yi, o olho do caráter), e serão escolhidas para cada pessoa de acordo com os Odú que caíram durante o jogo, não podemos esquecer que Ifá traduz a sua individualidade.
Durante o ritual iniciático, enquanto estão sendo batidas as sementes de ikin, o sacerdote estará recitando os versos (Itan) dos 16 Odú principais, mais Odú-Ifá Oseturá, que representa a criação da diversidade no Universo, e assim a visão dos inúmeros caminhos traduzidos pelos Odú, dando a Òrúnmìlà o nome de Eleripin (A Semente da Criação).
Estas sementes rezadas individualmente será o Ibá-Ikin-Ifá, elemento que fará a ligação de seu Elédà com sua origem Divina o qual estará relacionado aos primeiros 16 Odú, os Órìsà primordiais, e a multiplicação destes. A sua matriz de origem estará sendo invocada para dar sentido a sua vida aqui na terra.



Esù-Ifá

A ilusão nos causa impressões de que algo visto de perto pareçam simétricas, e quando vistas à distancia terão um novo foco, assim vice e verça. Partindo deste princípio tudo depende do modo como se "olha", assim a justiça, ou a injustiça, o bem e o mau, assim como é importante as pessoas terem em conta que muitas vezes aquilo que lhes faz bem hoje, com o tempo pode não ser, da mesma forma que aquilo que hoje é ruim, amanhã poderá ser muito bom.

Para a cultura Yorùbá, Èsù é o justiçeiro Divino, aquele que olha tudo, que leva a Olódùnmarè os anseios do homem e o trás de volta em forma de benefício, Àse ou não.

Tudo o que existe tem sua polaridade, e Èsù será aquele que nos dará a pista de qual o caminho tomar, ele traduz a linguagem densa de nossa crosta terrestre para chegar no divino, gerando caminhos (Odú), portanto ele é a primeira semente geradora.

Quando você conversa com a natureza e isto lhe trás benefício é Èsù que traduziu o seu código mental para a energia pura, trazendo de volta em forma de prazer interior.

Se o Ikin-Ifá é a mente, para cada inciciado será então plantado um Èsù, pois ele é quem vai transformar os desejos interiores no seu mundo paupável, a mente é a razão, e Èsù o gerador, aquele que faz conceber, nascer, criar e tornar possível os frutos desta razão.

Ele será plantado em uma pedra na qual os sacerdotes invocarão um espírito, e daí por diante você deverá criar uma afinidade de tal forma que tudo o que faça possa com ele dialogar, em todos os momentos, todos os dias e horas, se não fisicamente, mentalmente, criar uma simbiose. Forças são energias vivas que não podem ficar paradas, se você não tem este contato, com o tempo se vão, e aí você perderá novamente este elo de ligação, e só lhe restará uma pedra.


Ikin-Ifá e Èsù-Ifá

Por conclusão, quando o iniciado recebe estes elementos sagrados o seu equilíbrio espiritual será completo, representando a unidade entre aquilo que se pensa e aquilo que se faz.

Aquele que vive somente dentro da razão concentra na parte central do seu corpo esta energia, e viverá sempre tenso, dores de cabeça, mau humorado, é um ser nervoso.

Quando ao contrário a pessoa se agita muito mais do que faz, serão aqueles que não sabem nem o que fazem, nem para onde ir, e vivem se debatendo de um lado para o outro sem sentido ou objetivos.

O equilibrio está em pensar, e fazer. O Orí cria objetivos, os pés correrão o mundo, e as mãos farão o que precisa.

A manutenção deste enorme bem recebido terá que ser cumprido, sob muitas formas: Ao se levantar de manhã, em jejum sem falar com ninguém deverá orar para eles. Todas as sextas-feiras fará sua oferanda da semana. A cada 30 dias, sua oferenda de mês. E a cada ano será feita festa em sua homenagem. Todos os preceitos, oferendas ou qualquer coisa que fará sempre será sob a orientação de um Bàbáláwò, nenhum outro grau hierarquico dentro de nossa religião está apto para dar orientação sob a conduta e procedimento para os filhos de Ifá. É bom que se diga que na África, Bàbáláwò não são possuidos pelos Eleguns, e este um título é usado no Brasil indiscriminadamente por pessoas que não conhecem a profundidade de seus reais fundamentos.


Nota. Retirado do site:

www.omooduduwa.com.br

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Diga não aos oportunistas!!!



Olá pessoal, sou uma pessoa com muita fé nos Orisá, mas tenho me indignado com muitas coisas que a nossa religião vem passando nestes últimos anos.
São tantas coisas erradas e escabrosas, que irei citar apenas algumas, para que juntos possamos refletir e quem sabe, apoiarmos uns aos outros.
Primeiramente vou falar sobre a intolerância religiosa, que vem crescendo assustadoramente, não tendo um órgão do Estado sequer que venha em nossa defesa, deixando impunes os perseguidores e, obviamente livres para mais um ataque.
Tem também os Babalorisas mercenários, que abusam da fé dos miseráveis e cobram preços exorbitantes, deixam as pessoas menos favorecidas e já sofridas por seus próprios problemas, eternas devedoras, tornando-se assim, verdadeira marionete em suas mãos, às vezes até fazendo-as esmolar por muito tempo para conseguirem o valor estipulado.
E por fim, e não menos repugnante, a invasão desses ditos Babalawos africanos, que chegam aqui e, também abusando de nossa imensa fé, fazem de tolos àqueles que por desconhecimento e interesse em aprender como são feitas as oferendas na terra mãe, lhes obrigam a pagar valores incalculáveis para iniciarem-se em Ifá ou fazer um simples ebó, alegando que é a sabedoria dos ancestrais. Puro engodo!
Imagina se um verdadeiro Babalawo iria fazer tais sandices? Existem mandamentos de Ifá que falam sobre a conduta do Sacerdote.

Então, meus amigos, diante destas coisas todas que citei acima, não se deixem cair na conversa dessa gente arbitrária, que só vêem cifras e não nossos verdadeiros interesses.
Passei pessoalmente por todos estes problemas e conclui que devo mesmo é estudar com pessoas sérias ou profissionais, para que assim não mais me deixar cair em esparrelas. E se aparecer a oportunidade certa e a pessoa certa, quem sabe consiga concluir meus estudos, até mesmo indo diretamente à terra mãe.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A importância dada ao bom caráter (ìwà pele)

Ìwà é o que caracteriza uma pessoa sob o ponto de vista ético. Para ser feliz uma pessoa deve ter ìwà pele, pois quem tem bom caráter não entra em choque com os seres humanos nem com os poderes sobrenaturais. Esse é o mais importante dos valores morais iorubá, e a essência da fé consiste em cultivá-lo.
A lenda de Ìwà é relatada na literatura de Ifá.
16
Ìwà era uma mulher de rara beleza com quem Orúnmílà se casou, após ela ter se separado de diversos outros deuses.
Apesar de sua beleza, Ìwà tinha maus costumes e falava demais, sendo ainda preguiçosa e irresponsável.
Depois de algum tempo de casados, Orunmila, não podendo suportar o mau comportamento de sua esposa, mandou-a embora.
Entretanto, quando Ìwà partiu, Orúnmílà percebeu que não podia viver sem ela. Perdeu o respeito dos vizinhos, sua prática divinatória perdeu o valor, seus clientes se afastaram, ficou sem dinheiro, enfim perdeu tudo e foi desprezado por todos.
Tentando achar uma solução, vestiu-se de Egúngún e saiu por aí, à procura de Ìwà. Foi à casa dos 16 odu de Ifá à procura da esposa, cantando na porta de cada um:
“Grande Sacerdote de Ifá de Ajeró,
Adivinho de Ajeró,
Onde você vir Ìwà, diga-me.
É Ìwà, Ìwà que estou procurando.
Se você tem dinheiro, mas não tem Ìwà,
O dinheiro não é seu;
Ìwà é a pessoa que eu procuro.
Se alguém tem filhos, mas não tem Ìwà,
As crianças pertencem a outra pessoa;
17
Ìwà, Ìwà é quem nós procuramos...
Se temos uma casa, mas não temos Ìwà,
A casa não é nossa, é de outra pessoa.
Ìwà, Ìwà é o que procuramos.
Se você tem roupas, mas tem falta de Ìwà,
As roupas pertencem a outra pessoa.
Ìwà, Ìwà é o que procuramos.
Todas as boas coisas da vida que um homem possui,
Se ele perder Ìwà, elas passam a pertencer a outra pessoa.
Ìwà, é o que estamos à procura!”
(Ogbon inú, awo Alárá;
Dífá fún Alárá, Èjí Osá,
Omo Amúrin kàn dogbon agogo.
Ìmoràn, awo Ajerò, Difá fun Ajerò,
Omo ògbójú koroo jà jále.
Níbo ló gbé ríwà fún un o,
Ìwà, Ìwà là n'wá o, Ìwà.
Ó nó bó o lówó, tóò níwà,
Owo olówó ni.
Ìwà, Ìwà là n'wá o, Ìwà.
Omo la bí,
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Tá à níwà, Omo olomo ni.
Ìwà, Ìwà là n'wá o, Ìwà.
Bá a nílé, tá à níwà,
Ilé omílé ni.
Ìwà, Ìwà là n'wá o, Ìwà.
Bá a láso,tá à níwà
Aso, aláso ni.
Ìwà, Ìwà là n'wá o, Ìwà.
Ire gbogbo tá a ni,
Tá à níwà.)
Depois de grande procura Orunmila achou Ìwà casada com Olójo. Quando cantou na porta de Olójo, este foi à porta recebê-lo e recusou-se a devolvê-la. Então eles começaram a brigar. Orúnmilá bateu em Olójo com a perna de uma cabra que havia sacrificado antes de sair de casa. O impacto atirou Olójo a muitas milhas de distância, e Ìwà foi levada de volta para sua casa.
Ao analisar a lenda vemos as várias razões da importância dada a Ìwà.
Primeiro é importante que o bom caráter seja simbolizado por uma mulher. No folclore iorubá as mulheres representam os dois extremos - amor, cuidado, devoção e beleza, versus fraqueza, deslealdade e falsidade. Só as mulheres podem simbolizar essa dualidade, de acordo com o conceito iorubá.
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A lenda mostra ainda que o homem deve cuidar de seu caráter tão bem como cuida de sua esposa. Da mesma forma que manter a esposa é obrigação do marido, o bom caráter deve ser uma obrigação para os que têm fé e querem viver de forma correta.
As mulheres são consideradas bruxas e podem até ser mentirosas, mas os iorubá crêem que a sociedade não pode sobreviver sem elas. Da mesma forma, pode ser difícil ter bom caráter, mas não se pode ser feliz sem ele.
Ìwà foi uma mulher que perdeu os bons hábitos. Significa que o homem que quer ter bom caráter deve estar preparado para encarar egbin - coisa suja - e passar por algumas situações desagradáveis, que podem ofender sua dignidade e decência. Mesmo assim não deve se desviar do bom caminho, para não perder a essência e o valor de sua vida.
Os versos equiparam Ìwà aos bens materiais que os homens almejam: dinheiro, filhos, casa e roupas. Um homem que tem bens materiais, mas não tem caráter, provavelmente irá perder tudo para uma pessoa de caráter, que saberá melhor tomar conta desses bens. Ìwà é o atributo de maior valor entre todos, no sistema iorubá.
Vemos que o costume dos zeladores de santo, de transmitir ensinamentos através de lendas (itans) em que os Orixás se comportam como pessoas comuns, com seus
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defeitos e fraquezas, é também uma herança da cultura tradicional iorubá.

*Tirado do livro: CULTURA IORUBÁ, Costumes e Tradições, de Maria Inez Couto de Almeida, Ifatosin.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Iniciação de Osun na África

Cultuar Ori






Orí inú, a cabeça interna, onde reside a conciência humana, a voz de Olódùmarè dentro de cada um de nós. Orí inú é representado pelo orí, pela cabeça, pela nossa própria cabeça. O Orí de todos nós deve ser tratado com muito cuidado, ou seja, é muito importante que nós tenhamos conhecimentos de nossos ewò (quizilas) para que não venhamos agredir a nossa própria ecênsia. O orí pode ser agradado constantemente, todos os dias, podemos fazer isso utilizando um obì, um orógbó e um cópo de água. Junto com orí, existe o Elédà, Elédà para muitos é nosso òrìsà, dentro de que aprendi, não é, Elédà é nosso duplo, nosso eu no plano espiritual, que precisa sempre estar em harmonia com nosso orí, para que possamos sempre cumprir com o nosso destino. Elédà é nossa mente superior, enquanto orí é nossa mente interna. No culto de Orí, é extremamente importante prestar culto ao ìpònrì, o dedão do pé esquerdo, pois esse é o simbolo de nossos ancestrais, e de nossos pés, lésè, para que sempre tenhamos um Ona rere, bons caminhos. Para que nossos pés encaminhe nosso orí aos bons lugares. Orí é de fato o mais importante, mas nunca pode ser cultuado sózinho, antes de cultuar orí, devemos cultuar Èsù, Iponri e Elédà, pois essas energias em harmonia é o que possibilita que o ser se encontre na vida.

Orin orí: ORÍ ENI, OUN NI ÀWÚRE ENI
BI MO JI LOWURO, MA GBA ORÍ MI MU
ORÍ ENI, OUN NI ÀWÚRE ENI.

CANTIGA DE ORÍ: SOMENTE O ORÍ DE UMA PESSOA QUE PODE ABENÇOA-LA
TODA VEZ QUE ME LEVANTO PELA MANHA, ABRAÇO MEU ORÍ
SOMENTE O ORÍ DE UMA PESSOA, PODE ABENÇOA-LA.

ORÍ IRE ORI MI ÀSE ORÍ IRE O
ORÍ IRE ELÉDÀ MI ÀSE ORÍ IRE.

ORÍ DE SORTE, MEU ORÍ QUE A SORTE ACONTEÇA
ORÍ DE SORTE, MEU ELÉDÀ QUE A SORTE ACONTEÇA.

ORÍ MI
ELÉDÀ MI, SEBI OMO WIPE
OMODE NI MI, GBEJA O FÚN MI JA O

MEU ORÍ,
MEU ELEDA, SOU CRIANÇA, NÃO SEI LUTAR
SOU PEQUENO, LUTE POR MIM.

TODOS ESSES ORÍN, FORAM DIVULGADOS AQUI NO BRASIL PELO BÀBÁLÁWO FÁBUNMI, ATRAVÉS DE BÀBÁ KING. MO JÚBÀ O

ORÍ GBOGBO AWON, IRE O!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Odu Ifá

Odu Ifa
Odus
Escrito por Obanise
DIZ-SE QUE, NOS PRIMÓRDIOS DOS TEMPOS, NÃO EXISTIA SEPARAÇÃO ENTRE O CÉU E A TERRA (ORUM-AIYÉ) E QUE HAVIA UMA CONVIVÊNCIA ÍNTIMA ENTRE OS ORIXÁS E OS SERES HUMANOS; TODOS PODIAM IR AO ÓRUM E VOLTAR QUANDO DESEJASSEM. PORÉM UM CERTO DIA, O HOMEM DESONROU SEU COMPROMISSO COM ÓLORUM, PECOU CONTRA O SUPREMO AO TOCAR O QUE NÃO PODIA SER TOCADO. E ASSIM, O MESMO DIVIDIU O CÉU E A TERRA. O PRIVILÉGIO DA LIVRE COMUNICAÇÃO DESAPARECEU EM TROCA DAS DIFERENTES FORMAS ORACULARES ESTABELECIDAS E LEGADAS POR ORUNMILÁ.
Odús (signos de Ifá), são presságios, destinos, predestinação. Os odús são inteligências que participaram da criação do universo; cada pessoa traz um odú de origem e cada orixá é governado por um ou mais odús. Cada odú possui um nome e características próprias e dividem-se em "caminhos" denominados "ese" onde está atado a um sem-número de mitos conhecidos como itàn Ifá.

Os odús são os principais responsáveis pelos destinos dos homens e do mundo que os cerca.
Os orixás não mudam o destino da vida e sim executam suas funções dentro da natureza liberando energia para que todos possam dela se energizar e encontrar seu caminho,
O odú é o caminho, a existência do destino o qual o orixá e todos os seres estão inserido.
Alguém já escutou a seguinte frase ?
-com o destino não se brinca...
-sua vida esta escrita...
-seu destino já estava escrito...
E muitas outras frases populares que refere-se a odú.
Cada pessoa pode ir de encontro ou seguir um caminho alheio ao destino estabelecido, neste caso seu destino e sua conduta fogem as regras siderais (seguiu um caminho diferente dentro do estabelecido). Geralmente nestes casos, as mesmas tentem a sofrer decepções em sua vida em geral (amor, trabalho,família, saúde, mortes prematuras, etc) São nesses casos que a espiritualidade pode ajudar, porém tudo que é natural e de conformidade com o destino, não deve ser modificado.

Nós quando nascemos, somos regidos por um odú que representa nosso "destino" assim como o nosso caminho.

Através de ifá, podemos averiguar o porque das situações serem adversas as de sua vontade e se a mesma está em um caminho diferente ao destinado ou escolhido.

O destino das pessoas e tudo o que existe podem ser desvendados por meio da consulta a ifá, o oráculo, que se manifesta pelo jogo. Ifá tem seu culto específico e o mais alto cargo do culto de ifá é o de Olwo, título concebidos a alguns babalaôs. Ifá é o orixá da adivinhação e para tudo deve ser consultado. Existem alguns tipos de jogo utilizado por Babalorixás e Ialorixás que não são os mesmos métodos do opelé ifá (utilizado pelos babalaôs em consulta a Ifá), como o rosário de ifá, o jogo de búzios (meridilogun), etc.
No jogo de búzios (mais comum meridilogun) quem fala é exú, são dezesseis búzios que podem ser jogados também pelos babalorixás e yalorixás. A consulta a ifá é uma atividade exclusivamente masculina, mas as mulheres passaram a poder pegar nos búzios porque oxum fez um trato com exu, conseguindo dele permissão para jogar.
O jogo de opelé ifá baseia-se num sistema matemático, em que se estabelece 256 combinações resultantes dos 16 odús usados no jogo de búzios multiplicado por 16. Nada se faz sem que antes se consulte o oráculo, quanto mais séria a questão a ser resolvida, maior a responsabilidade da pessoa que faz o jogo.

Narram algumas lendas que ifá girou pelo mundo, deixando legados e ensinamentos a vários povos de como manter comunicação com os deuses no órun (céu), passando pelos árabes onde não foi aceito e vindo a se estabelecer definitivamente na áfrica, junto aos povos iorubás onde manteve seu legado ensinando aos sacerdotes como restabelecer a comunicação com seus antepassados. Assim ,aperfeiçoando um dos mais avançados métodos de consulta existente.


Tirado do site Mundo dos Orixas