sexta-feira, 30 de julho de 2010

A SOCIEDADE ÀBIKÚ

ÀBÍKÚ ou ELÉ`RÈ são formas de espíritos que vivem de ir e vir ao mundo, formando uma sociedade chamada Egbé Òrun Àbikú, e l`derada por Olóìkó (de natureza masculina) e Ìyájanj`sá (de natureza feminina). Para estas mortes prematuras, oferendas são feitas com a intenção "fechar a porta" de ida e vinda, para que desta forma um espírito desta natureza que esteja encarnado, possa viver plenamente e "ficar com cabelos de algodão". Ao tomar conhecimento de que uma criança é Àbikú, os Yorubás além de uma série de ritualidades específicas, dão também um nome a esta criança para que este nome lhe traga ajuda na luta de sua permanência: Àpààrà - "Não fique indo e voltando", Dúrójaiyé -"fique e goze a vida", Kòkúmó - "não morra mais". As obrigações a serem feitas iniciam-se a partir da consulta ao oráculo de Ìfá e o Bàbá Eégúngún Bejí-Bikú (ligado ao culto de Beji, exatamente por causa dos espíritos infantis Àbìkús, pode ajudar muito na solução do problema), estas consultas visam entre outras coisas a perceber o "ponto fraco" específico daquela pessoa na relação Abikú, pode-se deduzir o que será necessário a ser feito. Assim nos conta um itòn do Odù Òdi Méji :   "...Òrúnmílà foi consultar Ìfá para seu filho Asejéjéjaiyé. Ele causa aborrecimentos a Òrúnmilá porque é a décima Sexta vez que vem ao mundo e morre. É então que o Babáláwo diz que se prepare a folha de Ìdí e tudo que for necessário. Eles dizem que sejam feitas incisões no corpo de Asejéjéaiyé, que façam incisões no rosto também. As incisões são feitas e se esfrega o pó. Quando se acaba de fazer as incisões, eles dizem que esta criança não conhece mais o caminho de volta para o céu da morte; Eles dizem que pegue o resto do pó negro; Eles dizem que se faça um talismã de boa sorte; Eles dizem que amarre na cintura da criança; Eles dizem que ela  não é mais capaz de partir; Eles dizem que o caminho do céu da morte, não foi feito para ela; A criança que esfrega seu corpo com a folha de lará pupa não retorna mais ao céu da morte..."    Se uma mulher, em país Yorúbá, dá à luz uma sèrie de crianças nati-mortas ou mortas em pequena idade, a tradição reza que não se trata da vinda ao mundo de várias crianças diferentes, mas de diversas aparições do mesmo ser maléfico chamado Àbíkú(nascer-morrer) que se julga vir ao mundo por um breve momento para voltar ao país dos mortos, òrún, várias vezes. Ele passa assim seu tempo a ir e voltar do céu para o mundo sem  jamais permanecer aqui por muito tempo, para grande desespero dos pais, desejosos de ter numerosos filhos vivos, para assegurar a continuidade da família sobre a terra. Esta crença se encontra entre os Akan, onde a mãe é chamada Awomawu(ela bota os filhos no mundo para a morte). Os ibo chamam os Àb`kú de Ogbanje, os Hauçás de Danwabi e os Fanti, Kossamah. Sua presença entre os Mossi foi estudada por M.Houis. Encontramos informações a respeito dos Àbìkú em algumas histórias de Ìfá que transmitem de geração em geração um enorme "corpus" de histórias tradicionais, classificadas nos 256 Òdú de Ìfá. Essas histórias mostram que os Àbìkú ou Eméré formam sociedades no céu (egbé-Òrún), presidídas por Iyàjansá (a mãe-que-bate-ecorre) para os meninos e Olókó(chefe de reunião para as meninas, mas é Aláwaiyé(Rei de Awayé) que as levou ao mundo pela primeira vez na sua cidade. Lá se encontra a floresta sagrada dos Àbìkú, aonde os pais vão fazer oferendas para que eles fiquem na terra. Quando eles vem do òrún para a terra, os Àbìkú passam os limites do céu diante do guardião da porta, o aduaneiro do céu Onibodè Òrún(um dos títulos de Ògun). Os que partem declaram o tempo que tencionam ficar no mundo e o que farão. Se prometem a seus companheiros que não ficarão na terra, essas crianças, apesar de todos os esforços de seus pais, retornarão, para encontrar seus amigos no céu. Os Àbìkú podem ficar no mundo por períodos mais ou menos longos. Um Àbìkú menina chamada " a morte os puniu" declara diante de Ònibodè Òrún que nada do que seus pais façam será capaz de retê-la no mundo, nem presentes em dinheiro, nem roupas que lhe ofereçam, nem todas as coisas que eles gostariam de fazer por ela atrairiam os seus olhares nem lhe agradariam. Um Àbìkú menino , chamado Ilere, diz que recusará todo alimento e todas as coisas que lhe queiram dar no mundo. Ele aceitará tudo isto no céu. Quando Aláwayé levou duzentos e oitenta Àbìkú ao mundo pela primeira vez, cada um deles tinha declarado, ao passar a barreira do céu, o tempo que iria ficar no mundo. Um deles se propunha a voltar ao céu assim que tivesse visto sua mãe; um outro, que iria esperar até o dia em que seus pais decidissem que ele deveria se casar, um outro, que retornaria ao céu, quando seus pais concebessem um novo filho, um ainda não esperaria mais do que o dia em que começasse a andar. Outros prometem a Iyàjanjansá, que está chefiando a sua sociedade no céu, respectivamente, ficar no mundo sete dias, ou até o momento em que começasse a andar, ou quando ele começasse a se arrastar pelo chão, ou quando começasse a ter dentes , ou ficar em pé. Essas histórias de Ìfá nos dizem que oferendas feitas com conheimento de caus são capazes de reter no mundo esses Àbìkú e de lhes fazer esquecer suas promessas de volta, rompendo assim o ciclo de suas ídas e vindas constantes entre o céu e a terra, porque, uma vez que o tempo marcad para a volta já tenha pasado, seus companheiros se arriscam a perder o poder sobre eles. Estas oferendas capazes de reterem os Àbìkú na terra são todas profundamente baseadas nas plantas litúrgicas que "conhecem o segredo Àbìkú", e assim podem como que omper o pacto dos Àbìkú.                   Estas plantas litúrgicas são:  Abírinkolo=cascaveleira,xique-xique,maracá.      Agídimagbayin= vassourinha do campo. Idi = amendoeira. Ijá osun = urukun  Lara pupa = mamona vermelha. Olobonjè = pinhão da bahia Opa emere = dobradinha do campo, malva sedosa. A ação protetora buscada nas folhas , expressa nas fórmulas de encantamento, é introduzida no corpo da criança por incisões e fricções e a parte do pó preto, contida no saquinho Òndè, representa uma mensagem não verbal, uma espécie de apoio material e permanente da mensagem dirigida pelos elementos protetores contra elementos hostis, sendo esta forma de expressão menos efêmera do que a palavra. Assim como nestas histórias, são feitas referências aos Xaorôs, anéis providos de guizo, usados nos tornozelos pelas crianças Àbìkú, para afastar os companheiros que tentam vir buscá-los no mundo e lembrar-lhes suas promessas. No entanto, nem sempre essas preucações e oferendas são suficientes para reter as  crianças Àbìkú na terra. Iyájanjansa é  muitas vezes mais forte. Ela pode não deixar agir o que as pessoas fazem para reter os Àbìkú. Os corpos dos Àbìkú que morrem assim, são frequentemente mutilados, a fim de que , dizem, eles percam seus atrativos e seus companheiros no céu não queiram brincar com eles sobretudo para que o espírito do Àbìkú, maltratado deste modo, não deseje mais vir ao mundo. Estas crianças recebem no seu nascimento, nomes particulares. Citarei alguns : Aiy´lagbe -"nós ficamos no mundo", Aiyédùn- "a vida é doce, venha conhecer nossa sociedade", Ajéigbe -"a riqueza não está perdida" Akísàtán-" eu nã verei mais amarrar as roupas" Dúrósomo- "fica, para fazer filhos" e muitos outros.    

Fonte : magia prática  no culto à Ìyami Òsòròngá.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

SOCIEDADE ÈFÉ - GÈLÈDÈ

Na sociedade Yorúbá mais antiga, as mulheres são consíderadas como representantes de poderes capazes de controlar reservatórios de energias espírituais imensas dentro de si. Este imenso poder pode ser dirigido para criar ou destruir a vida. Os homens da comunidade reconhecem este poder cultuando Èfé -Gèlèdè. Este culto possui como principal característica, as famosas máscaras Èfé - Gèlèdè. O ser semi-animal, semi-humano que tem, como intermediário, entre os mundos sua pele. Este fato permite compreender a importância da máscara (essência espiritual do totem, as máscaras masculinas no culto Èfé-Gèlèdè chamam-se Akògi e as femininas Abògi ). "Pois o iniciador que dança é o esp´rito luminoso do animal ", a máscara conduz a dança; esforço coletivo do clâ, não para invocar a uma divindade, mas para representar uma espécie de mímica mágica, que visa proteger e fertilizar a toda comunidade. Por causa da idéia de vida e fertilidade, o culto anual de Èfé - Gèlèdè é organizado no começo da estação agricultural (em março na África). O culto, surgiu na cidade de Ketu no décimo quarto século e foi adotado por todas as comunidades situadas no corredor comercial do estado Yorúbá a oeste, sendo diferente do culto a Èégúngún que influenciou e influencia até hoje, todo o território Yorúbá de uma forma em geral. Èfé-Gèlèdè é apenas uma parte do culto de Ìyámi Òsòròngá, a parte diurna, Èfé é a parte noturna e seu complemento.

Èfé é o Orixá Èsú em sua manifestação de pássaro noturno. Nas máscaras Gèlèdè, quase sempre estão representados pássaros e serpentes, a serpente por ser um animal essencialmente noturno e os pássaros por possuírem uma potência espíritual equivalente as das mulheres, neste sentido, as aves e as serpentes formam a expressão visível do corpo de Ìyámi. As aves representam Ìyámi porque viajam no ar (símbolo do vôo noturno- projeção astral- caracteristico da pratica da magia de Ìyámi).Assim, as aves nos ligam às serpentes mesmo que apenas através de sua oposição simbólica. Em todas as culturas , tanto as aves quanto as serpentes sempre aparecem como imagens prímárias e fundamentais da energia feminina superior do universo(e nem sempre são inimigas), pois se enquanto as aves voam em direção a magia das alturas e do sutil, as serpentes rastejam seu ventre carinhosamente aprofundando-se nos mistérios da tera. De certa forma, é fácil perceber que as aves e serpentes representam o eterno jogo de troca ene o consciente e o inconsciente, tornando-se óbvio percebermos que o encanto das aves(particlamente as noturnas) é a sua cpacidde de voar(transitr nos aspetos mais sutis da naturea) e principalmente, nestes aspectos mais sutis na  condição noturna(fonte de medo e apreensão inconsciente relacionada aos temores mais profundos dos seres humanos). No caso das serpentes elas precisam trocar de pele periodicamente e isto lhes proporciona uma aura de imortalidade. Possuem uma qualidade andrógina: esticadas, parecem falos; enroladas, assemelham-se às dobras da vulva vaginal. Com este imenso símbolo andrógino, as serpentes são  são a própia sexualidade encarnada e fortemente vivíficada na natureza. Por isso, quando se vê as serpentes enroladas nas máscaras Gèlèdè ou mesmo, participando"ativamente" da magia de Ìyámi Òs`ròngá(òsòròngá mesmo é o nome de um pássaro noturno), pode se ver a força de nossos mais antigos primórdios unindo-se a imagem original de Deus no universo, ou como alguns preferem: Deusa. voar e trocar de pele são uma magia infinita, original, arcaica e totalmente plena; sendo de força incomensurável, poucos podem transitar entre estes aspectos sutis e densos da natureza de uma forma plena, sem arriscarem-se ao vôo nturno. O culto anual a Gèlèdè, oferece tributo a potência m´stica dos antepassados das pessoas idosas e líderes da comunidade. As gèlèdè são conhecidas como mães anciãs, está em garantir uma vida construtiva, relacionando-se a fertilidade e a sabedoria do segredo da vida, no entanto, elas também possuem o mesmo poder em polaridade destrutiva. Os dançarinos de Gèlèdè são homens, contudo representam homens e mulheres em suas representações.Na dança feminina Gèlèdeé poderosa e contida, entretanto, na dança masculina é violenta e agressiva. As Gèlèdé possuem uma "ordem de entrada" nas suas ritualidades, pois seu culto(diurno) é sempre feito na praça do mercado na medida em que o ato de negociar mercadorias dentro da cultura Yorúbá é especialmente feito por mulheres. O ststus de uma mulher Yorúbá deriva em maior parte pela sua reputação em saber negociar, do que pela sua riqueza, ou o grau de "mimo" que dá a seu marido. Desde que a principal ocupação das mulheres Yorúbá, está em negociar, muitas máscaras  descrevem "comercios femininos". Estas mulheres são economicamente independentes de seus maridos e possuem o potencial de ganhar mais dinheiro do que eles. Por isso tais aspectos como paciência, auto controle, reverência e riqueza, são simbolizados como mulheres. Portanto a praça do mercado representa simbolicamente o universo e o poder feminino atuando dentro dele(agora é facil entender, poque Èsú é conhecido como Òlójá "Dono do mercado" e por isso mesmo sua grande relação com Gèlèdè). 

Texto extraido do mesmo livro de pesquisa das postagens abaixo.

domingo, 18 de julho de 2010

Sociedade Ogboni

Sociedade secreta dos Babaláwo, que em África, teve poder superior ao poder de seus reis. Aportou, reorganizou-se e sobreviveu no Brazil, tendo liderado várias revoltas negras na Bahia, as mais conhecidas entre 1808 e 1835. Muitos de seus líderes escaparam das perseguições, refugiando-se no anonimato e no sigilo de seus fíéis. Nos conta uma muito antiga lenda que no  in´cio da criação do mundo ,Ìyámi, a grande mãe ancestral deu à luz a 16 filhos. Os dois primeiros a nascer chamavam-se Ogbo e Oni. Devido a um motivo desconhecido, estes dois, começaram a lutar entre si, trazendo todo tipo de desgraças e destruição sobre o mundo. Ìyàmi ao perceber que esta luta entre seus filhos mais velhos poderia causar a completa desintegração da terra, obrigou-os a fazer um pacto de irmandade, jurando sobre determinado amuleto sagrado que nunca mais lutariam entre si, desta forma então nascendo a primeira sociedade secreta do mundo que seria nomeada, conforme os nomes  dos irmãos unidos para sempre: Ogbo e Oni, daí o nome desta sociedade ser Ogboni. A sociedade secreta Ogboni é temida e respeitada por todos que a conhecem, sendo a segunda corte judicial em terras Yorùbá. Esta sociedade possui a finalidade de proteger a comunidade e manter o estabelecimento da ordem. A esta sociedade somente poderão ser filiadas aquelas pessoas que mantenham um comportamento ético, moral, e social exemplar, não importando seu nível intelectual, raça, procedencia ou sexo. Entre os participantes desta sociedade estão os membros ativos que realizam os ritos e cerímònias secretas: Babaláwo, demais sacerdotes e os passivos são as pessoas que participam das decisões a tomar e das festas. Desta sociedade também participam políticos, doutores, advogados, militares e anciãos da comunidade. Os Ogboni incrementam cotidianamente atrvés do estudo, ritos e cerímônias de nível místico e magístico para assim afastarem de suas consciências os defeitos e os sentimentos impuros que normalmente afetam as pessoas comuns. Durante os séculos, muitas irmandades foram criadas baseando-se nos prìncípais estatutos da Ogboni, mas realmente apenas uma pequena parte destas sociedades conseguiram a unificação e o poder social da Ogboni em terras Yorùbá. Os Ogboni falam a língua Yorùbá, mas internamente possuem um vocabulário secreto com o qual denominam divindades, objetos, animais, etc. As palavras iníciáticas deste vocabulário pertencem ao idioma mais antigo, e é o idioma  que os mais antigos sacerdotes utilizavam-se para comunicar e ativar as energias, com propósitos benéficos ou prejudiciais conforme a necessidade. Os Ogboni chamam-se a si mesmos de omo-Oduduwa, que é o Òrixá criador da terra. Sendo justamente a terra, o principal elemento de culto e força espiritual nesta sociedade . A maioria dos instrumentos sagrados da sociedade Ogboni são manufaturados com o brone, que é o símbolo da força que não se deteriora ou se corrompe.Ideais estes da própia sociedade para seus membros. Além da sociedade Ogboni existem outras que devem ser citadas por sua importância e poder, estas são: A sociedade Èfé-Gèlèdé ( que possui como principal divindade a orixá Ìyámi Òsòròngá ); A sociedade Èégúngún (que possui como principal divindade o orixá Agan); A sociedade Abikú ( que possui como principal divindade o orixá Ìkú) e outros. Como já dito, a sociedade Ogboni venera a terra, e por isso seu principal orixá chama-se Onilé(A Senhora da terra).É uma divindade feminina que representa o espírito da terra na qual os antepassados estão enterrados. Assim como Olóòrun (O Deus Supremo ) está presente em todas as coisas, através D'ele foram criados Òòsàálá(Senhor do céu e da criação) e Onilé(Senhora da terra). Na verdade a própia Ìyàmi Òsòròngá, como dona da estrutura terrestre muitas vezes se mescla ao mito de Onilé, pois ambas são consideradas forças agressivas e perigosas, assim como Oduduwá (criador da terra) que é um orixá masculino, o herói da fundação do estado Yorùbá. Na sociedade Ogboni um dos principais símbolos relacionados a terra, são uma "parede de varas" que símbolizam a sabedoria e a antiguidade, assim como a interdependência entre o homem e a mulher. De grande importância sìmbólica para Ogboni é o número 3, que representa o movimento e o dinaaamismo da criação. Nos rituais Ogboni de iniciação , é utilizada uma corda na qual são amarrados 3 caracóis no pulso do iniciante, representando o apaziguamento das forças destrutivas no mundo humano (que é tridimensional). Também se valoriza por demais o lado esquerdo, pois representa a força feminina e a potência terrestre, assim existem inúmeros rituais Ogboni de caráter iníciatico  em que os participantes colocam o punho esquerdo sobre o direito três vezes, que significa uma afirmação da matéria, da vida fisíca e da terra sobre o céu, o espírito e etc, na tridimensionalidade. Por isso ao  saudarem a terra recitam os Ogboni a seguinte frase: "O leite do peito de nossa mãe é doce " e tocam o chão por três vezes. Importante é entendermos que o número três na cultura Yorubá sempre vai representar o Poder que a tudo dinamiza, ou como diz: " É a força dinâmica que une todos os elementos para um objetivo em comum ", ou seja, o atributo da Onipotência pois "somente os anciãos conhecem o segredo do número 3, aquele que dele sabe se utilizar  é Elégbara ", Todo poderoso, um dos títulos de Èsú. O numero 3, também representa a força  Àsé " O poder que faz  todas as coisas acontecerem ". Na sociedade Ogboni a terra é venerada com o intuito de assegurar a sobrevivência, a paz, a felicidade e a estabilidade social da comunidade, assim como também a longevidade e o bem estar. 

( Texto extraído do livro Ìyàmi, o mito das mulheres pássaros, de Luís Carlos da Silva.).

ÌKÚ (O SENHOR MORTE )

O Òrísá que possui a função de exercer o poder da morte chama-se Ìkú, trata-se de uma dinvidade masculina e seus mitos e formas de culto estão registrados dentro do oráculo de Ìfá, isto se deve, por ser Òrúnmilá, o orísá da sabedoria, aquele "que pode alterar a data da morte". Afirma a tradição que Ìkú começou a matar depois que viu sua mãe ser espancada e morta na praça do mercado, sendo depois dominado por seus que conseguiram que ele comesse o que lhe era proibido. Quem ensinou como anular a atividade de Ìkú, foi sua mulher chamada Olójòngbòdú.  Nos conta assim, um fragmento do verso do Odù Òyèkú Méjì:     "....Quando Ìfá falou sobre Olójòngbòdú, a mulher de Ìkú que foi chamada logo cedo pela manhã, foi perguntado o que seu marido não poderia comer, que o tornasse incapaz de matar outros filhos das pessoas? ela disse que Ìkú, seu marido, não poderia comer ratos,pois se comesse, suas mãos tremeriam sem parar; Ela disse que Ìkú, seu marido, não poderia comer peixe, poi se comesse, seus pés tremeriam sem parar ; Ela disse que Ìkú, seu marido, não poderia comer ovo de pata, pois se comesse, ele vomitaria sem parar..."      Outro método de enfraquecer a atividade de Ìkú é registrado no oráculo de Ifá, através do modo como Èsù subornou o filho de Ìkú, para que este revelasse o modo como  Ìkú  matava, Omòikú     então revela que seu pai, matava através de sua clava, tornando-se fraco sem este instrumento, o qual Èsú com a ajuda do Ijàpàá, esconde. "... Ijàpàá gbé òrúkú l'owó ikú..."  ( o cágado retira a clava das mãos de Ìkú ). Posteriormente, Ìkú faz um pacto com Òrúnmilá, através da condição dele ajudá-lo a recobrar a sua clava; então, Ìkú só levaria antecipadamente aqueles que não se colocassem sobrê a proteção de Òrùnmilá. Outro texto do Odù Ìròsùnsè, nos conta como Orí e Òrùnmilá, impediram a atuação de Ìkú sobre a cabeça de alguém. Concluindo, então, para que seja possível neutralizar a atuação de Ìkú, quando está agindo antecipadamente. Por isso, na tradição Yorùbá, acredita-se que Òrùnmilá é "O grande modificador que altera a data da morte". Todos os orixás, como agentes dinâmicos de vida, são ligados a ìkú. A mesma divindade que cria, também destrói, a mesma que gera fertilidade, também pode retirá-la e etc. E desta  atuação dependem estes orixás, de Ìkú e Eégúngún.        

(Fonte: Ìyàmi Òsóròngá e o mito das mulheres pássaros, autor  Luìz Carlos Silva.)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Intrdução a Origem de Eégúngún

Eégúngún é considerado como os espíritos coletivos dos antepassados que ocupam um espaço no Òrun, consequentemente eles são chamados Ará Òrun ( moradores do céu).

É afirmado pela cultura Yorùbá, que estes ancestrais estão em relação constante com os parentes terrestres, dependendo como os parentes negligenciam ou se lembram deles.

Os ancestrais possuem funções coletivas que herdaram por linhagem e lealdade de família. Eles protegem a comunidade coletivamente contra espíritos maus, epidemias, escassez, bruxaria e geralmente asseguram o ciclo prosperidade e produtividade da comunidade inteira.

Os Eégúngún podem ser invocados coletivamente e individualmente em tempos de necessidade. Em essência, o Yorùbá mantêm boas relações e comunhão constante com seus antepassados, aos quais acredita-se que são mais íntimos e interessados em seu bem estar que os àwon Òrisà. Os ancestrais podem ser convidados a visitar a terra fìsicamente através de máscaras, são uma referência  para a identificação do Eégúngún ou Ará Òrun.

Embora seja considerado perigoso para os espíritos ancestrais aparecerem durante o dia para as pessoas em terra, os aparecimentos físicos ocasionais de Eégúngún demonstram a proximidade dos antepassados para com os seus descendentes.

O sobrenatural dá poder para os antepassados exercerem forte autoridade sobre a comunidade. Influenciando assim o Eégúngún, funções políticas e sociais.

Eégúngún e seu aparecimento revela o estilo Yorùbá de como é a vida após a morte. Através dele são fortalecidas a linhagens de família, assim como é observado o comportamento de cada pessoa integrante e sua lealdade ao clâ. O reconhecimento para alguem de fora da linhagem Eégúngún é uma fonte de benção e orgulho à família. Em resumo, o aparecimento anual de Eégúngún é um período de introspecção e associação ìntima com os antepassados. Também é um tempo de festividade e entretenimento. um tempo de união de forças contra o mal que ronda a comunidade, e é também, um momento de formar uma convicção religiosa profunda em direção a força dívina e sua proteção. Acima de tudo ser um Eégúngún, é um modo de imortalizar o nome da pessoa, porque a qualquer momento em que o Eégúngún sai, os tambores e mulheres da família cantam em elogio aos ancestrais e contam mais uma vez, as ações heróicas da família.

No passado, vários Eégúngún poderosos conduziram as comunidades em guerras. Mohuru em Oyó, Daríagbon Kiisi e Lemojagba em muitas cidades são  tais Eégúngún. Outros como Jénjù e Lágboókun em Oyó, Olóòlu e Atipako em  Ibadan, Kamolóòlù em Ipetumodu e Pàjémásé em Iwó ajudaram a libertar as suas comunidades de diferentes inimigos sociais. Estes tipos de Eégúngún são capazes de apontar e executar qualquer inimigo de sua sociedade. 

Os grandes sacerdotes - guerreiros geralmente possuem seu Eégúngún (Eégúngún Olóògun) e demonstram publicamente os seus poderes mágicos. A comunidade de caçadores tem Láyéwú ou Ode de Eégúngún (o Eégúngún de caçadores) enquanto alguns dos Òrísás principais em cada comunidade possuem o seu Eégúngún auxiliar.

Alakoro é Eégúngún Sòngó e Eégúngún Oya. Também há egbé de Iyá ou Olonko que são famosos por mostrar grande resistência e virilidade, há Eégúngún Olóré. Nesta categoria Alápánsánpá está em Ibadan, Lémojágbá em Gbongam e outros.


Um festival anual de Eégúngún é organizado coletivamente quando antepassados compartilham de companheirismo físico e espíritual com seus parentes vivos. O festival  dura normalmente sete, quatorze, dezessete ou vinte e um dias. O festival acredita que todos o Eégúngún voltam ao Òrun. Porém, as suas forças vitais podem ficar em seus " assentamentos", chamados de Ojúbo para que sempre que os parentes vivos na terra precisassem de sua ajuda, deveriam então chama-los. De fato, certos Eégúngún vêm fora da data festival anual, isto acontece para que executem funções especificas. Estes incluem o Eégúngún que levam os rituais de sacríficios; que executam rituais funerários e outras funções. Eégúngún Onidan, Alarinjó ou Agbègijó são alguns destes que também poderiam sair todo o ano, independente do festival.

Toda pessoa de uma comunidade Yorúbá parece ser envolvida na adoração de algum Eègúngún, desde que todo mundo tem pelo menos, um antepassado para chamar. Mas tradicionalmente cabe mais aos homens, que as mulheres, o controle do mistério de Eègúngún, os quais, apenas aqueles iniciados na sociedade de Eègúngún conhecem seus segredos e funções plenamente.

 Em essência, Eègúngún é um culto secreto como Oró e Agemo. Algumas mulheres sabem seus mistérios e tais mulheres não podem divulgar os segredos do culto. Estas são Iyámode, Yèyèsorun e Ato em localidades diferente.  A tradição prega obediência a seguinte declaração: Mawo de "B'óbinrin,wi" de gbódò de kò (Se uma mulher sabe segredos do culto, ela nunca tem que contar).

Os devotos e participantes gerais do culto em consulta com  o Oba da cidade fixam o festival anual e qualquer outro aparecimento de Eègúngún quando eles julgam necessário. Seus sacerdotes e devotos, executam as funções do culto Eègúngún e guardam seus mistérios silenciosamente. Eles serão aqueles que vão orientar aos indivíduos que querem executar algum oferecimento ritual ou sacrificar aos seus antepassados. Eles dão diretrizes e direções como os indivíduos podem comungar com os antepassados.

Para entender os mistérios de Eègúngún, toda pessoa precisa entender primeiramente, o desenvolvimento histórico do culto.  As principais tradições usadas são: os Odù Ifá e os Esà Eègúngún (Ìwín ou Esà ).  


(Este texto foi extraído do livro Ìyàmì Òsòròngá e os mitos das mulheres pássaros , de autoria de Luiz Carlos Silva, em virtude de pesquisas.)

domingo, 11 de julho de 2010

ÈSÚ YANGI

Examinando a concepção do universo , resumimos um mito de gênese sobre a aparição dos elementos cósmicos entre os quais se destaca Èsú-Yangi, pedra vermelha de laterita, como a protoforma, primeira matéria dotada de forma detentora de existência individual; lama dotada de forma, desprendida da terra, resultado da interação de água + terra ; lama, matéria prima, da que Ikú tomou uma porção para modelar o ser humano. Yangí, constítuido da mesma matéria de origem, converte-se, assim, no primogênito da humanidade. Fragmentos de laterite cravados na terra indicam o lugar de adoração de Èsú e constituem seus representantes diretos. Yangí é a representação mais importante de Èsú ;  ÈSÚ YANGÍ OBA BABA ÈSÚ ( Èsú Yangí Rei pai de todos os Èsú ), Èsú Yangí, o Èsú ancestre ou Èsú-Àgbà, o Èsú pé do Òkòtó, rei de todos seus descendentes, Èsú-Oba, é o pai-ancestre mas, ao mesmo tempo, o primeiro a ser nascido. Esse significado de Èsú está expresso no seu apelativo Igbá-Keta, a terceira pessoa, o terceiro elemento ( textualmente, a terceira cabaça). Seu caráter de descendente está expresso em muitos mito; particulamente esclarecedora é a história Atòrun d'òrun Èsú, do Odu Ogbè-Hunle, sobre o nascimento e a propagação de Èsú no  àiyé e nos nove espaços do òrun. Esse signo apareceu para Òrùnmilá quando ele foi consultar os Babaláwo.                                  

Nijó ti nlo rèé tóro omo, Lódò Òrisá Igbàwúji.     
No dia em que ele foi requerer uma criança a òrisá  
Orisánlá.                                                                                         

A história conta que nas remotas origens, Olódúmare e Òrinsànlá estavam começando a criar o ser humano. Assim criaram Èsú, que ficou mais forte, mais dífícil que seus criadores: "``Esú sí le ju àwon mejejí lo". Olódúmare enviou Èsú para viver com  Òrísánlá; este colocou-o à entrada de sua morada e o enviava como seu representante para efetuar todos os trabalhos necessários. Foi então que Òrúnmilá, desejoso de ter um  filho, foi pedir um a Òrísànlá.       Este lhe diz que ainda não tinha acabado o trabalho de criar seres e que deveria voltar um mês mais tarde. Òrúnmilá insistiu, impacientou-se querendo a qualquer preço levar um filho consigo. Òrìsánlá repetiu que ainda não tinha nenhum. Òrúnmilá então perguntou: "Quem é aquele que vi à entrada de sua casa?" É aquele mesmo que quero. Òrìsánlá lhe explicou que aquele não era precisamente alguém que pudesse ser criado e mimado no àiyé. Mas Òrúnmilá insistiu tanto que Òsàla acabou por aquiescer. Òrúnmilá deveria colocar suas mãos em Èsú e, de volta ao àiyé, manter relações com sua mulher Yebìirú, que concebiria um filho. Doze meses mais tarde, ela deu à luz um filho homem e, porque Òsàlá dissera que a criança seria Alágbára, Senhor do Poder, Òrúnmilá   decidiu chamá-la Elégbára. Assim, desde que Òrúnmilá pronunciou seu nome, a criança, Èsú mesmo respondeu e disse:                                                          

Iyá, Iyá   Ng o je Eku 
mãe, mãe eu quero comer preás.
A mãe respondeu:
Omo naa jeé 
Filho,come, come, 
Omo naa jeé
Filho, come, come, Omo l'okún 
Um filho é como contas de coral vermelho,  
Omo ni de 
Um filho é como cobre, 
Omo jingindìringin                    
Um filho é como alegria inestinguível   
A mu se yì mú s'òrun
Uma honra apresentável, que nos Ara eni  Representará depois da morte.                      

Então  Òrúnmilá troxe todas as preás que pôde encontrar. Èsú  acabou com elas. No dia seguinte, a cena se reproduziu com Èsú pedindo e devorando todos os  peixes frescos, defumados, secos etc que existiam na cidade. No terceiro dia, Èsú quiz comer aves. Gritou e comeu até acabar com todas as espécies de aves. E sua mãe cantava todos os dias os versos acima e ainda acrescentava:    

Mo r'omo ná 
visto que consegui ter um filho,
A ji logba aso                                        
o  que  acorda e usa duzentas  Omo màa  
filho , continue a comer.                  

No quarto dia, Èsú disse que queria comer carne. Sua mãe cantou como de hábito, e Òrúnmilá trouxe-lhe todos os animais quadrúpedes que pôde achar: cachorros, porcos, cabras, ovelhas, touros, cavalos, bodes, etc; até que não ficou um só quadrúpede, Èsú não parou de chorar,  no quinto dia Èsú disse:

Iyá, Iyá, 
mãe, mãe,
Ng ó je ó!
eu quero comê-la !                       
A mãe repetiu sua canção: Filho come, come, filho come, come e foi assim que èsú engoliu sua própia mãe.  

Òrúnmilá, alarmado, correu a consultar os Bbalawos, que lhe recomendaram fazer a oferenda de uma espada, de um bode e de quatorze mil cauris (búzios). Òrúnmilá fez a oferenda.  No sexto dia depois do seu nascimento, Èsú disse:

Bàbá, Bàbá,
pai,  pai ,
Ng  ó je ó !
eu quero comê-lo ! 

Òrúnmilá cantou a canção da mãe de Èsú e quando este se aproximou, Òrúnmilá lançou-se em sua perseguição com a espada e Èsú fugiu. Quando Òrúnmilá o reapanhou, começou a seccionar pedaços de seu corpo, a espalhá-los, e cada pedaço transformou-se em um Yangí.                                
Òrúnmilá cortou e espalhou duzentos pedaços e eles se transformaram em duzentos yangí. Quando Òrúnmilá se deteve, o que restou de Èsú ergueu-se e continuou fugindo. Òrúnmilá só pôde  reapanha-lo no segundo òrún e lá Èsú estava inteiro de novo. Òrunmilá voltou a cortar duzentos pedaços que se transformaram em duzentos yangí.  Isto repetiu-se nos nove òrun que ficaram assim povoados de yangí. No  último  òrun, depois de ter sido talhado, Èsú decidiu pactuar com Òrúnmilá; este não devia mais persegui-lo; todos os yangí seriam seus representantes e Òrúnmilá poderia consultá-los cada vez que fosse necessário enviá-los a executar os trabalhos que ele lhes ordenasse fazer, como se fossem seus verdadeiros filhos.Èsú assegurou-lhe que seria ele mesmo quem responderia por meio dos Yangí (pedaços de lateritas) cada vez que o chamasse.
Òrúnmilá perguntou-lhe sobre sua mãe que havia sido devorada. Èsú devolveu sua mãe a Òrúnmilá e acrescentou:

Òrúnmilá ki o maa kési oun
Òrúnmilá deveria chamá-lo
 bi ó bá féé gba gbogbo àwon nkan
 Se ele queria recuperar a todos e  
bi eran ati eye                                             
cada um dos animais e aves        
ti òun je ti àiyé                                           
que ele tinha comido sobre a terra
pé òun ò máà ràn án lówó                    
ele (Èsú) os assistiria para             
látí gbá padá fún láti owo àwon omo aràiyé  
reavê-los das mãos da humanidade.                                                                                                

Òrúnmilá e Yébìirú reinstalaram-se na cidade de Iworo, e a partir desse momento ela começou a dar à luz muitos filhos de ambos os sexos. A história continua com o translado para Kétu, a invocação de Èsú para os proteger da guerra, a vinda de Èsú do òrun para os defender, a volta a Iworo, ensinando-lhes Èsú como preparar e sagrar seu "assento", tranferindo-lhe seu  agbara que executaria todos os trabalhos que lhe fossem solicitados e acaba por uma saudação, um oriki alusivo a suas característícas:

Èsú j'òkó, j'elédè
Èsú come cachorros, come porcos.
Bara nyan gbégi gbégi gbégi
Bara anda senhorilmente,balançando-se
Ogun gbogbo nlo
 Para a direita e para a esquerda.
 Kóró,  kóró-kóró.
 Todos atacantes se afastam, quando ele vem
 Chegando sen
horil e sutilmente.  

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Oyadeji, muito Obrigado!


Nos dias de hoje, onde na maioria das vezes, as pessoas estão mais envolvidas com seus problemas, olham, mais não enxergam, ouvem, mas não escutam, falam, mas nada dizem, eu conheci Oyadejí, alguém muito especial, da qual observei que, mesmo tendo seus próprios problemas, ainda é capaz de ouvir igualmente, tanto as pessoas que estão por perto, quanto as de média e longa distância também . Capaz de dar um pouco de si , num ímpeto de encorajar e levantar o que está cabisbaixo. Enfim, uma grande pessoa, amiga, solidária... E eu, que fui uma dessas pessoas a ser incentivada, agraciada por sua atenção e carinho, gostaria de dizer -lhe:

DEJÍ, muito obrigada pelo seu carinho, incentivos e apoio.

Este post abaixo foi a maneira que encontrei de prestigia-lá , pois a sua grande devoção ao culto tradicional yorubá, é um grande exemplo de seriedade.

ÒYÁ

Òyá a divindade dos ventos, das tempestades e do rio Niger (que em Iorúbá chama-se Odò Òyá - rio Òyá). Foi a única das mulheres de Sòngó que, ao final de seu reinado, segui-o em sua fuga para Tapá. Equanto Sòngó recolheu-se para baixo da terra, em Kossô, ela fez o mesmo em Irá. Òyá é uma divindade associada ao número 9 (um número essencialmente masculino). Este fato se deve a uma alusão aos supostos nove braços do delta do rio Niger. Uma outra referência da sua relação a um número que representa o elemento masculino, nos é dada pela sua grande importância no culto a Eégúngún (ancestrais masculinos). A relação profunda de Òyá com Eégúngún, vem de sua
grande relação com Ìyà-mì Òsòròngá (Odù, a mãe de Eégúngún).
Òyá é o único Òrìsà capaz de enfrentar e de manipular os Eégúngún.

Umas das lendas que comentam a origem de seu nome, fala de como uma cidade chamada Ipô estava ameaçada de destruição, invadida pelos guerreiros Tapás. Para preserva-lá foi feita uma oferenda das roupas do Rei dos Ipôs. Este magnífico traje, teria sido rasgado (ya) em dois, para servir de almofada como apoio às cabaças. Apareceu então, misteriosamente, uma àgua que se espalhou (ya), inundando os arredores da cidade e afogando os agressores Tapás! Quando os habitantes de Ipô procuraram um nome para este rio que surgiu e se espalhou (ya), quando as roupas foram rasgadas (ya), decidiram chama-lo Òdò Òyá.

Elemento fundamental do culto a Òyá é a utilização de chifres de búfalos, que representam as fases lunares crescentes e minguante, como uma alusão da força de Òyá (o búfalo) e seu duplo poder.

Òyá liga-se aos aspectos instintivos femininos, seja em seu aspecto passional, como em seu aspecto gerador-ativo.

GBÀDÚRÁ ÒYÁ; "...t"àwa l"ewà aláadé òyá dè wa e l`aári ó Sun l`oun dé òrun..."

GBÁDÚRÁ ÒYÁ (tradução); "...Ela é a mais bonita das mulheres que possuem coroas. Òyá quando vem até nós, é sempre de alto valor. Nós a saudamos quando vem, e é sempre muito importante, quando ela põe fogo na terra ao vir do céu. Saudemos a grande mãe que queima e brilha reluzente, colocando fogo na terra ao vir do céu..."


Este texto é um breve resumo, fruto de pesquisas feita em livros e apostilas, já que sabemos que sobre o òrísá aqui citado, ainda há muito o que ser dicertado.

ÒKÒTÓ

Oòkòtó é uma espécie de caracol e aparece nos motivos das esculturas e como emblema entre os que fazem parte do culto de Èsú. Ele consiste em uma concha cônica cuja base é aberta, utilizado como um pião. O òkOtó representa a história ossificada do desenvolvimento do caracol e reflete a regra segundo a qual se deu o processo de crescimento; um crescimento constante e proporcional, uma continuidade evolutiva de rìtmo regular. O òkòtó simboliza um processo de crescimento.O òkòtó é o pião que apoiado na ponta do cone- um só pé, um único ponto de apoio- rola "espiraladamente" abrindo-se a cada revolução, mais e mais, até converter-se numa circunferência aberta para o infinito (cume oco ). É Ifá quem diz; " ò ni, òkòtó, ò ni, Agbegbe lójú bèè ló si n fi esè kan gogogo pòòyi rányinrányin
kálè" trad; Ele diz; òkòtó (pião-caracol), Ele diz; ele tem um amplo cume oco.
Assim òkòtó com uma só perna ,rola por toda a superfície do solo. Esse odù foi recitado pelo Babálawo Ifátoogun para ilustrar as múltiplas variedades de Èsú- orísírisí Èsú-- para explicar seu papel como fator de expansão e de crescimento a partir de um único Èsú_ o pé do òkòtó, Àgbá Èsú_ de cuja natureza as múltiplas unidades participam. Òkòtó ilustra não só que os Èsú, "apesar de numerosos, sua natureza e sua origem é única ", mas também ele explica o significado dinâmico, sua maneira de crescer e de se multiplicar "em espiral ". Èsú é UM multiplicado ao infinito. Em numerosos textos e cantigas encontra-se essa relação de Èsú com o número 1. Assim, numa parte do itan que ilustra esse Odù, conta-se que, quando Èsú acabou de se preparar para vir do òrun ao àiyé já que "queria abençoar aqueles que não eram numerosos na terra, e porque ele percebia claramente que as cidadezinhas se lastimavam amargamente por não crescer ", ele convocou todos os seus descendentes no òrun, "os filhos de seus filhos, de geração a geração", e os contou durante longo tempo; "eram mil e duzentos, Àgbà Èsú, ele própio, o rei de todos, acrescentou UM a seu número, o que fez 1201". Assim interpretasse que "a adição de uma unidade ao número redondo evoca a continuação... o número redondo, ao contrário,... marca uma paralização na numeração, logo, por analogia, uma paralização das relações sociais das partes, um limite.... " Essa capacidade dinâmica de Èsú que tanto permite a Sàngo lançar suas pedras de raio como a Òsányìn preparar seus remédios, esse poder neutro que permite a cada ser mobilizar e desenvolver suas funções e seus destinos, é conhecido sob o nome de Agbára. Èsú é o senhor-do-poder, Elegbára, ele é ao mesmo tempo seu controlador e sua representação. Olórun delegou esse poder a Èsú ao entregar-lhe o Àdó-iràn, a cabaça que contém a força que se propaga. O Àdó-irán constitui um de seus principais emblemas e está presente nos "assentos" e em numerosas esculturas sob a forma de uma cabaça de longo pescoço apontando para o alto que Èsú carrega em sua mão. Principio dinâmico e símbolo complexo que participa de tudo o que existe, em sua força abstrata , Èsú só precisa apontar seu àdó para transmitir a força inesgotável que tem. Èsú, como Ifá, possui um culto e sacerdotes, mas por causa de seu significado está ligado a todos os cultos dos ìrúnmolè, tanto òrisà como ancestrais, participando de todos eles. Èsú o primogênito do universo. "ORERE TI NDU ORI ELEMERE, BABÁ MI TA MI L'ORE OLA MO SIRE AGBE RODE O " . Trad; Èsú o bondoso, que se preocupa, em melhorar a qualidade de vida, de todos os seres. Oh! meu pai, me presenteie com a prosperidade, fui propagar a sua sabedoria à todas as pessoas.

Este texto é um resumo de pesquisas feita no livro os nagô e a morte.

domingo, 27 de junho de 2010

ÈSÚ PRINCÍPIO DINÂMICO

A análise de èsú se impõe como imprescindível para a compreensão da ação ritual e do sistema como totalidade. De fato, èsú não só está relacionado com os ancestrais femininos e masculinos e com suas representações coletivas, mas ele também é um elemento constitutivo, na realidade o elemento dinâmico, não só de todos os seres sobrenaturais, como também de tudo o que existe. Nesse sentido, como Òlórun, a entidade suprema protomatéria do universo, Èsú não pode ser isolado ou classificado em nenhuma categoria. É um princípio e, como o àsé que ele representa e transporta, partiçosamente de tudo. Princípio dinâmico e de expansão de tudo o que existe, sem ele todos os elementos do sistema e seu devir ficariam imobilizados, a vida não se desenvolveria. Segundo as própias palavras de ifá," cada um tem seu próprio èsú e seu próprio Òlórun, em seu corpo" ou "cada ser humano tem seu èsú individual, cada cidade, cada casa(linhagem), cada entidade, cada coisa e cada ser tem seu própio èsú", e mais, "se alguém não tivesse, não poderia existir, não saberia que estava vivo, porque é compulsório que cada um tenha seu èsú individual". Assim como Òlórun representa o princípio da existência genérica, Èsú é o princípio da existência diferenciada em conseqüencia de sua função de elemento dinâmico que o leva a propulsionar, a desenvolver, a mobilizar, a crescer, a transformar, a comunicar. Olódúmarè criou èsú como um eborá todo especial de maneira tal que ele deve existir com tudo e residir com cada pessoa. Em virtude de suas competências e poder de realização, de sua inteligência e natureza dinâmica, o èsú de cada um deverá dirigir todos os seus caminhos na vida. É ifá quem fala e revela para nos permitir sabê-lo. A função de èsú consiste em solucionar, resolver todos os "trabalhos", encontrar os caminhos apropiados, abri-los ou fecha-los e, principalmente, fornecer sua ajuda e poder a fim de mobilizar e desenvolver tanto a existência de cada indíviduo como as tarefas específicas atríbuidas e delegadas a cada uma das entidades sobrenaturais. ìbá Èsú!, laroiye! ´
           
Este texto é um resumo de pesquisa , colhida do livro os nagô e a morte, de autoria de Juana Elbein dos santos.

sábado, 26 de junho de 2010

IBÁ ÈSÚ

ILE OGERE , IBÁ! IWO NAA NI A O KOKO TE, KI A TO TE OMI.ÈSÚ ÒDARA, IBÁ! IBÁ OGANJO. IBÁ ASESE YO OORUN, IBÁ ÀKODA, ÌBÁ ASEDA, TIN SE EBORA AYE. ÌBÁ ÈSÚ NI A NDA KI A TO BO ORÍSÁ. MO DURO, MO JUBÁ ÈSÚ! MO BERE, MO JUBÁ ÈSÚ MO JUBÁ OKÙNRIN, MO JUBÁ OBIRIN , MO JUBÁ OMODE ,MO JUBÁ AGBÁ. ÌBÁ GBOGBO YIN KIN NTO MU AWOSE, MO WA LA TI WA JUBÁ RE ÈSÚ ALAGBARA ALASE OMO ELEDUMARE. ÌBÁ NI TIRE ÈSÚ, AH! ÌWO ELEGBARA, EBORA OLOWO IJO, A SE OTUN, SE OSIN, LA NI ÌTÍJU, ÈSÚ ÒDARA JE OWURO MI O SAN MI. ÈSÚ ÒDARA JE ALE MI O SAN MI. ÈSÚ ÒDARA TI NJE LATOPÁ, ELEPO LENU, ÒDARA TI NJE ELEGBARA, A YI KONDUN SI EYIN , ELEYIN, OKUNRIN ONA, OKUNRIN OGUN, ONILÈ ORÍTA, AGBÁ ÒRISA A SORO NAA DI OMIRAN, LAROYE-O, LAROYE-O. OMI LERO INÁ, EPO LERO ÈSÚ, ÌBÁ MI NAA FUN EYIN ÌYÁ MI ÒSÓRONGÁ, A PA ENI MA YO IDA, OLOKIKI ORU OKO NSISE, ORI ÌLE NI, AYANE MO NAA NKO-O, ORÍ ÌLE NAA NI , LEGBARA MO JUBÁ RE O, MA JE ÌLE YI O YO, MO MI LESSE-O. ÀGBA DA NI NGBA OHUN AKARA OMO ELEDUMARE, IWO LO PA OKÓ SINU INÁ O PA ALE SI IDI ARO, O TUN WA PA ÌYÁ WO SI EHIN ÌLE, ÌBÁ RE E, EBÍTA OKUNRIN MA PA MI, MA SI PA ENYIAN, SIMI LORUN-O, ÈSÚ LAALÚ, MO YILE, ÌBÁ YIN O, IWO EBORA OLOWO, MO JUBÁ RE O, OBÁ AWON ÌMALE ENI TI KO MO E NI NPE E, NI ONIKUMO, EMI NI ORÍGBEMILEKE OMO ÈSÚ ODARA KI OHUN BURUKU O , PARADA LAYE MI O. EYIN OKANLENIGBA EBORA ÍNU AYE, ÌBÁ YIN O . MO TUN JUBA OGANJO TI NSE OMO IYA ORU, OLOJO ÌBÁ. AH! ÈSÚ GANRANGARAN, LEBARA WA GBO OHUN MI O, ÌBÁ OMI NI A NJU, KI A TO PA EJA. ÌBÁ IGBO NI A NJU, KI A TO SODE. ÌBÁ NAA NI A NJU ,KI A TO PA EYE BI OMODE BA DE ÍBI ORO LA JUBÁ AWON ÌYÁ MOGUN, AWON ÌYÁ MOGUN PELU ÁSÈ ÈSÚ ÒDARA WON A FÍ ORÍ RE TELE APO . ÈSÚ LAALU MO JUBÁ RE O ÌKORÍTA METÁ, AYE TOUN ORUN, ÌBÁ. EYIN AYE, E MA DA ILE MI O NKO NI DA TÍ YIN NAA O ENI BÁ DALE, KI ÌLE UM LO O , ÈSÚ ALÀSE ÒRÍSA OUN LO SE ALAKOSO WA, LE TI ODO ODALEBERU LEGBE, YEYE A TI PEREGUN OMI, ODO NAA RE O KO TÍÍ GBE O, YEYE ETI ODO NAA RE O KO TI GBEO, PEREGUN ETI ODO NAA RE O KO TÍÍ GBE O. EWE ORI WON KO TI WO O .ÈSÚ MA JE ORI MI, ELEDA MI O O SIN MI SILE O, MO TUN NFIBA AWON OKANLENIGBA IMALE TI WON NSE OJISE ELEDUMARE. ÌBÁ ÈSÚ LAALU ENI TI E NGBA ASE LOWORE, LEGBARA, LEGBARA ÌRAWO ÀKODA TI MO NWO YI TI NSE AYA OJU, ÌBÁ. ÈSÚ ÒDARA IRAWO ÁKODA, ÁSÉ EBÓ LOWO, BINBA RUBO NKO O , JE EBÓ MI ODÁ O, A JEBÓ JEEBÓ MI O DA , A AJEBO MO TUN JUBÁ OORUN, EYI TI NSE AYA, OWURO KUTU ,ORI MI, ELEDA MI , ÌBÁ RE O. IGI HU NINU IGBO, ORÍ ILE NI ADA NSISE, ORÍ ÌLE NI. MO TUN JUBÁ EYIN ÌYÁMI ÒSÓRONGA OPIKI ELESE OSUN, A JEFUN JEDO. ÈSÚ, MA JE AWON ÌYÁ MOGUN FI ORÍ MI TELE APO KIN LE GBO, BÍ O GBO noKIN TO TO , KI OJO MI O DALE-O EYIN OKANLENIRINWO IMALE NAA NKO O, ÌBÁ NI MO NJE, ISE KO NI MORAN YIN E MASE AÍ, KO JE MI O E MA GBAGBÈ ÌRUKERE. ÈSÚ LAALU, ÌBÁ RE O, JE ÌLE AYE, MI OSAN MI ,KI O TU NI NEGENNEGEN BI OMI ODO A FI OWURO PON O ,ÈSÚ oDARAA KASE NLE KI NRIBI LO , EMI LOMO ARO GIDIGBA TÍ NBO LONA. LAALU, MA JOKO LE MI, KI O MA TUN JOKO LE OMO MI .ÈSÚ OKUNRIN KUKURU TI NBE L'ONA OJÁ, ÈSÚ LAALÚ, MO JUBÁ RE O, ÌBÁ A JE O , ÌBÁ ÈSÚ!!

Tradução:

Terra eu te saudo! É sobre voce que caminha primeiro antes de pisar na água, èsú òdara, saudações! saudações à madrugada, saudações ao sol nascente, saudações ao sol poente, saudações aos prímordios, saudações aos criadores, que são veneráveis. a saudação à èsú é a primeira a ser feita, antes venerar a qualquer Òrísá . De pé, eu saúdo a èsú; abaixado eu saúdo à èsú; deitado, eu saúdo èsú. Minhas saudações aos homens, minhas saudações as mulheres, minhas saudações as crianças, minhas saudaçoes aos mais velhos. Saudações à todos voces antes de iniciar os mistério. Eu vim especialmente para saudar voce èsú. O poderoso dono do ásé e filho de Deus. Essas saudações são suas Elegbara, elas são suas èsú. Ah! voce Elegbara, o venerável que tem nas mãos o poder da intriga; que tanto joga no lado direito, como no esquerdo sem o menor constragimentos. Èsú òdara, faça com que a minha manhã seje fávoravel, èsú òdara faça com que a minha noite seje favorável. Èsú Òdara que se chama látopá, que tem em sua boca o dendê. Òdara que se chama Elegbara, que posa nas costas dos outros. O sr dos caminhos, o sr das guerras, que tem a sua morada em frente as casas e na encruzilhada. Orísá velho que muda o conhecimento do passado, o poder da água paga o fogo, o poder do dendê acalma èsú. Minhas saudações a voces minhas mães, que matam sem utilizar nenhuma arma; são voces, donas da madrugada. A enchada trabalhando, è sobre o orí, com persistência espalhando o conhecimento. O DESTINO MANIFESTA-SE SOBRE A TERRA, LEBARA EU VOS SAÚDO, que eu não caia sobre a terra, que ela não trema sob meus pés. É o dendê quente que ouve a voz do akará, filho de Deus voce matou o marido dentro do fogo e que ao fazer a mesma coisa com sua amante, foi deixar a esposa morta no quintal da casa. Saudações, a voce homem forte e dinâmico, não me mate e não mate a nínguém perto de mim ou de onde eu estiver.Èsú o famoso, estou na terra saudações a voce. Voce o venerável dono do dinheiro. Saudações a voce, o rei dos veneráveis. Aquele que não conhece voçe é quem o chama de, o homem do porrete. Eu sou aquele , cujo o Ori me protege dos inimigos; o filho de Èsú, o generoso; para que as coisas ruins desapareça de minha vida. Voces que são as 401 divindades veneráveis e que habitam àye, eu vos saúdo. Saudo novamente o dia, que tem seu parentesco na madrugada. Senhor do hoje, saudações a voce. Ah! èsú esse infinito, Legbara venha me ouvir, a água é o primeiro elemento A ser saudado antes da pesca. A floresta é o primeiro elemento a ser saudado antes da caça. É a mesma floresta que se sauda, antes de se pegar pássaros nela. Quando um jovem chega na arvore oro, e ele deixa de saudar à arvore das ìyás mogun, as ìyás mogun junto com o ásé de èsú Odara pegam o Orí desse jovem e colocam dentro de sua bolsa. Èsú láalu eu te saúdo, as tres encruzilhadas que ligam o mundo vísível ao ín vísivel, saudações. Minhas mães Òsóronga, não me traiam, eu também não trairei voces. Quem trair a terra, que a terra leve embora. èsú o portador do ásé do òrísa que nos uniu para juramento de fidelidade, na beira do rio perto das àrvores sagradas yeye e peregun. Vejam a água deste mesmo rio, ele ainda não secou e nem secara. vejam a arvore sagrada yeye, que está na beira deste mesmo rio, esta àrvore não secou e nem secara. Peregun sagrado está na beira deste mesmo rio, está ``````arvore não secou e nem secará, as folhas dela ainda estão verdes e não cairão.´Èsú de força ao meu Orí e a meu Eledá, para que eles não me abandonem, Minhas saudações também as 201 divindades, que são mensageiras de Deus. Saudações èsú famoso aquele de cuja mão nós recebemos áse. Legbara, Legbara, a primeira estrela a ser criada, eu lhe tenho temor e respeito, aquele que é o alimento dos olhos, saudações. Esú Òdara, primeira estrela a ser criada, pertence a voçe o ásé dos ebós. Quando eu fizer ebó, faça com que meu ebó tenha asé e seja aceito. Saudações , ao amanhecer do dia que é parente da madrugada, saudações a vocês, a àrvore nascida dentro da floresta, o faz sobre Ori. O facão trabalhando, é sobre Ori. Eu saúdo também, minhas mães òsórongá, as louváveis que enfeitam os pés com osún e que se alimentam de intestinos e fígados. Èsú me proteja das ìyá mogun, para que não coloquem meu Orí em sua bolsa; para que eu amadureça e viva por muito tempo, que eu seje grande o suficiente para poder fazer as coisas, para que eu viva por muito tempo. E voces as 401 Divindades, eu vos saúdo, não estou mandando em voces, não deixem de me atender, não se esqueçam de mim. O milho quando nasce, a sua espiga não esquece de fazer aparecer o pendão, Èsú famoso, saudações a ti para que tudo em minha vida seja favoràvel à mim, que tudo me seja perfeitamente harmonioso. Como a aguà do rio ao ser apanhada pela manhà,Esù Odarà afaste os obstàculos para que eu possa passar, eu sou filho daquele poderoso veneràvel que està no caminho. LAÀLU não monte em mim ,naõ monte sobre meus filhos. Esù homem baixinho que fica no caminho da feira. Esù não me manipule negativamente. Esù famoso eu te saùdo. Saudações a você Esù.

Este texto foi colhido no site ile èsú ni bá ko, casa do divino espírito travesso-http://obajinmi.ning,com/ em ocasião de pesquisas.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

ÌMÓLÈ

ÌMÓLÈ é a origem da criação dos elementos, por isso este é o elemento mais importante e poderoso de todos ; ele é a origem, o fundamento de todas as coisas e de toda a criação. Em resumo, este elemento é a esfera primordial. Ìmólè é isento de tempo e espaço. Ele é a quinta força, a força que contém tudo o que foi criado e que mantém tudo em equilíbrio. É a origem e a pureza de todos os pensamentos e idéias. Mas do que a luz em si, chamada por outro nome: Ìmò ( a qual desta forma estaria mais ligada a forçã Osa), Ìmólè é a ação superior da rotação entre a luz e as trevas, é o equilíbrio e origem de tudo, daí sua transliteração mais apropiada de iluminação. Na medida em que Ìmóè é a origem dos elementos, o primeiro elemento que nasceu de Ìmolè foi ìnón ( o principio do fogo). Este elemento como todos os outros, não age só em nosso plano material, mas em tudo o que foi criado. As características básicas do princípio do fogo são o calor e a expansão; é por isso que no começo da criação tudo era fogo. Cada elemento, inclusive o fogo, possui duas polaridades, a ativa e a passiva (Ofú e Osa), a parte Ofú do fogo é construtiva, criadora e geradora, enquanto a Osa é desagregadora, destrutiva e exterminadora. Sempre devemos considerar essas duas características básicas de cada elemento. As religiões atribuem o bem ao lado Ofú (ativo) e o mal ao lado Osa(passivo), mas em princípio o bem e o mal não existem, eles são apenas conceitos da condição humana. No universo não existem coisas boas ou más, pois tudo foi criado segundo leis imutáveis. Assim é justamente através destas leis que se reflete o princípio divino, e apenas na posse do conhecimento destas leis é que podemos nos aproximar de Deus. O fogo emana à força do princípio elétrico em todo o universo. A força que representa este princípio elétrico nascido do fogo no universo, é chamada de Odù ÈJÌOGBÈ MÉJ`também conhecido no Brasil como Odù EJIÔNILÊ. Como força Ofú do fogo temos: A luz solar e como força Osa do fogo temos: a pólvora. Direção : LESTE. Folhas: urtiga, cansanção, cambára, erva-tostão e plantas afins. COR: vermelho.Metal:cobre Fase lunar: lua cheia. Parte no corpo humano aonde este elemento mais atua: cabeça. Cantiga ritual do fogo:"Inón inón mo jubá e e mo jubá, Inón inón mo jubá e àgò mo jubá" "Fogo,fogo,meu respeito e reverência fogo,fogo,meu respeito com pedido de licença e mais reverência". Em comparação com o princípio do fogo (ìnón), o princípio da água (omi), possui características totalmente opostas; suas características básicas são o frio e a retração. Aqui também se tratam de dois pólos (Ofú e Osa); o pólo Ofù (ativo) é contrutivo, doador de vida, nutriente e preservador, e o negativo (osa) é igual ao do fogo,desagregador,fermentador,decompositor e dissipador. Como o elemento água possui em si a característica básica da retração, ele deu origem ao fluído magnético(magnetismo) o qual é representado em sua forma mais plena através do Odù Òyèkú Mejí( também conhecido como Ejí-Ologbom) .Tanto o fogo como a água agem em todas as regiões. Segundo a lei da criação, o princípio do fogo não poderia existir se não contivesse um pólo oposto, ou seja o princípio da água. Por isso nos diz Ìfá; "Todo aquele que bater em Oyêku, sentirá a fúria de Èjiogbé". Esses dois elementos, fogo e água, são aqueles elementos básicos com os quais tudo foi criado. Por causa disso é que em todos os lugares sempre temos que contar com dois elementos principais como polaridades opostas (Òfú e Osa), além do fluído magnético e elétrico. Como força de Òfú da água temos: ORVALHO. Como força Osa da água temos :Líquidos que contenham paretes de materiais em decomposição. Folhas: saião, fortuna e plantas afins que contenham bastante água dentro de si. Cor: Azul. Metal: ferro. Animais: peixes. Fase lunar:Nova Parte do corpo humano onde este elemento mais atua: ventre. Cantiga ritual da água: "Omi imònlè másé mi omi tutu, omi onòn tutu Omi oko tutu , omi iyè tutu omi imonlè másé mi" "Espírito da água não me faça mal, a água refresca , a água refresca o caminho.A água refresca a lavoura, a água refresca a vida,Espírito da água, não me faça mal."

Os textos acima são frutos de pesquisa no livro magia prática no culto a Yami osoòrongá e o mito das mulheres pássaros, de autoria de SR: LUÍS CARLOS O. SILVA.

COSMOGONIA YORUBÁ

Na origem da criação do cosmos surge uma primeira força, princípio da explosão criadora do universo. Esta força chama-se Ìwá e é equivalente ao princípio do Bing-Bang na física. Desta força original desenvolve-se uma contraparte complementar, o principio equilibrador do Ìwá, seu nome é Àbá. Comparando com os princípios originais de outras religiões, o Ìwá seria O Pai e o Àbá seria A Mãe(ou Espírito santo). Da união do Ìwá com o Àbá, surge a energia intermediária, que a tudo liga e movimenta em sua função equilibrante e dinâmica, seu nome é Àse. Se o Ìwá é o Pai e o Àbá a Mãe, o Àse é o filho. Por causa da relação entre Ìwá, Àbá e Àse, a encruzilhada de três caminhos é considerada sagrada na magia yorùbá. Ela é o ponto de encontro na terra, dos três princípios básicos do universo. Seu equivalente como ascensão ritual são as árvores que de um único tronco se desdobram para cima em três grandes galhos. Desta trindade original, surgem as forças OFÚ e OSA. Estes são equivalentes aos conceitos orientais de Yang e Ying. Ofú e Osa são modulações de energia, e suas nuances são aplicadas a todos os movimentos da natureza. São os dois pólos opostos, que em igual proporção são os responsáveis pelo equilíbrio. Um pólo tem valor igual ao seu pólo oposto, que lhe é complementar e necessário. Quando o equililíbrio entre dois pólos se altera, ambas as partes mostram seu lado destrutivo e maléfico. Ofú e Osa compõem o universo e são vistos de uma forma circular, contínua de movimento, uma vez que nada é estático e todo o equilíbrio é dinâmico, este círculo na verdade é a espiral, símbolo por excelência do movimento, equilibrado e benéfico dos pólos Ofú e Osa. Ofú é calor, expansão , é o princípio inicial do que ainda vai ser fogo ( por isso é luz ), é o masculino presente nos homens e nas mulheres. Osa é frio e contração, é aquilo que ainda vai ser água ( por isso é trevas- e sem o menor sentido negativo nesta palavra ), é o aspecto feminino presente nas mulheres e nos homens.

sexta-feira, 26 de março de 2010

SISTEMA RELIGIOSO E CONCEPÇÃO DO MUNDO: ÀIYÉ E ÒRUN


Assinalamos que atrávés da iniciação e da atividade ritual propulsionada pelo àsé, os membros da comunidade vivem e aprendem progressivamente os princípios do sistema religioso, os valores e a estrutura do mundo do nagô. Os integrantes do culto recriam a herança sócio-cultural legada por seus ancestrais. As novas contribuições recebidas pelo culto são profundamente africanizadas, retendo, das idéias forâneas, unicamente as que reforçam sua própia concepção do mundo. Os nagôs concebem que a existência transcorre em dois planos: o àiyé, isto é, o mundo, e o òrun, isto é, o além. O àiyé compreende o universo físico concreto e a vida de todos os seres naturais que o habitam, particulamente os ará àiyé ou aráyé, habitantes do mundo, a humanidade. O òrun é o espaço sobrenatural, o outro mundo. Trata-se de uma concepção abstrata de algo imenso, infinito e distante. É uma vastidão ilimitada_ode òrun_ habitada pelos ara-òrun, habitantes do òrun, seres ou entidades sobrenaturais. Quase todos os autores traduzem òrun por céu (sky) ou paraiso (heaven), traduçoes que induzem o leitor ao erro e tendem a deformar o conceito em questão. Já dissemos que o òrun era uma concepção abstrata e, portanto, não é concebido como localizado em nenhuma das partes do mundo real. O òrun é um mundo paralelo ao mundo real que coexiste com todos os conteúdos deste. Cada indivíduo, cada árvore, cada animal, cada cidade etc. possui um duplo espirítual e abstrato no òrun; no òrun habitam pois todas as sortes de entidades sobrenaturais ou, ao contrário, tudo o que existe no òrun tem sua ou suas representações materiais no àiyé. Do que se antecede, deduz se largamente que a tradução de òrun por céu paraiso é o fruto de uma concepção insuficiente e de tendencia fôranea. Como assinala muito justamente Picton (1968:33) no que concerne a um grupo Igbira: mas não a idéia do céu, morada de Deus e das almas dos justos que é fôranea à crença tradicional Igbira. Os mitos revelam que, em épocas remotas, o àiyé e o òrun não estavam separados, A existência não se desdobrava em dois níveis e os seres dos dois espaços iam de um a outro sem problemas; os òrisás habitavam o àiyé e os seres humanos podiam ir a òrun e voltar. Foi depois da violação de uma interdição que òrun se separou de àiyé que a existência se desdobrou; os seres humanos não tem mais a possibilidade de ir ao òrun e voltar de lá vivos. Duas histórias, itàn, mantidas vivas pela tradição oral. contam a criação de Sánmò, o céu atmosfera, consequencia da separação do òrun. Uma delas conta, resumindo que, no tempo em que o òrun limitava diretamente com àiyé, um ser humano tocou indevidamente o òrun com as mãos sujas, o que provocou a irritação de Olórun, entidade suprema. Este soprou, interpondo seu òfurufú, ar divino (halito) que, transformando-se em atmosfera, constitui o sánmó ou céu. A segunda história é mais elaborada. No tempo em que o àiyé e o òrun eram limitrofes, a esposa estéril de um casal de certa idade appresentou-se em várias ocasiões a Orìsálá, divindade mestra da criação dos seres humanos, e lhe implorou que lhe desse a possibilidade de gerar um filho. Repetidamente Orisálá se tinha recusado a atende-la.Emfim, movido pela grande insistência, aquiesce ao desejo da mulher, mas com uma condição: a criança não poderia jamais ultrapassar os limites do àiyé.Por isso, desde que a criança deu seus primeiros passos, seus pais tomaram todas as precauções necessárias. Contudo, toda vez que o pai ia trabalhar no campo, o pequeno pedia para acompanha-lo. Toda sorte de estratagemas eram feitos para evitar que a criança acompanhasse o pai. Este saía escondido de madrugada. A medida que a criança ia crescendo, o desejo de acompanhar seu pai aumentava. Tendo atingido a puberdade, uma noite, eçle decidiu fazer um buraquinho no saco que seu pai levava todos os dias de madrugada e de por uma certa quantidade de cinza no fundo. Assim, guiado pela trilha de cinza, conseguiu localizar seu pai e o seguiu. Eles andaram muito tempo, até chegar ao limite do àiyé onde seu pai possuía suas terras. Neste exato momento, o pai apercebeu se que estava sendo seguido por seu filho. Mas este não pôde mais deter-se, atravessou o campo e, apesar dos gritos do pai e dos outros lavradores, continuou a avançar. Ultrapassou os limites do àiyé sem prestar atenção às advertências do guarda e entrou no òrun. Lá , começou uma longa odisséia no decorrer da qual o rapaz gritava e desafiava o poder de Òrisálá, faltando ao respeito a todos os que queriam impedi-lo de seguir seu caminho. Atravessou os vários espaços que compõem o òrun, veio cravar-se no àiyé separando-o para sempre do òrun, antes de retornar às mãos de Òrisálá. Entre o àiyé e o òrun apareceu o sánmó que se estendera entre os dois.O òfurufú, ar divino, é que separa os dois níveis de existência, o òrun do da vida. O èmi, a respiração, que diferencia um ará-àiyé- ser habitante do mundo- de um ará-òrun, ser habitante do além. Nas duas histórias que resumimos, o òrun, o além, residencia do sobre natural, é diferenciado do sánmó, a atmosfera, a massa de ar soprada por Òlórun. A palavra sánmó,indicando o céu-atmosfera fazendo par com a ilé, a terra, figura numa advinhação mito conecida na nígeria-yorubá,registrada igualmente por Abraham (1958; 625): mo s~u imi bààrá mo fi ewé bààra, trad: eu defequei excremento vasto, eu com folha vasta cobri. cuja a resposta é: ilé + sánmó, isto é , terra e céu; o excremento representa a terra ea folha que o recobre o céu. Temos assim dois pares de noções utilizados figuradamente de maneira extensiva: àiyé-òrun= mundo-além; ilé-sánmó= terra-céu. É comum referir-se à terra, como áiyé subentendendo-se que ilé, a terra, não compreende a totalidade do àiyé e que ao falar-se de òrun não se trata apenas do céu, mas de todo o espaço sobrenatural. O òrun é o doble abstrato de todo àiyé. òlórun, entidade suprema, o+ ni+ òrun, aquele que é ou possui òrun, não apenas um deus ligado ao céu como o pretendem certos autores, mas aquele que é ou possui todo o espaço abstrato paralelo ao àiyé, senhor de todos os seres espirítuais, das entidades divinas, dos ancestrais de qualquer categoria e dos dobles espirítuais, de tudo que vive. É, segundo esse conceito, que os mortos, oku-òrun ou awon ará ilé, habitantes da terra, espíritos da terra. As duas entidades sobrenaturais, que coletivamente representam os mortos e os ancestrais, Onilè e imolè, são representados por montículos de terra e é batendo ritualmente a terra que devem ser invocados os ancestrais a fim de que dela surjam e se manifestem.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Gelede - Patrimonio Cultural da Humanidade

O Gelede é realizada pela ioruba-nagô comunidade que está espalhada por Benin, Nigéria e Togo. Por mais de um século, essa cerimônia foi realizada em homenagem à mãe primordial Iya Nla e ao papel das mulheres no processo de organização social e desenvolvimento da sociedade ioruba. O Gelede acontece todos os anos após as colheitas, em eventos importantes e durante a seca ou epidemias e é caracterizado por máscaras esculpidas, danças e cantos, cantada na língua ioruba e retrata a história e os mitos do povo ioruba-nagô.

Fonte: UNESCO

ÌYÁMI ÒSÓRÒNGA, A MÃE ANCESTRAL.

Ìyámi òsóronga, a Mãe das Mães, a fonte de onde tudo se originou, o grande útero universal, a grande mãe ancestral. conhecer o culto a Ìyámi òsóronga é obrigação de todos os que levam a sério o culto aos Àwõn Orisá, todo aquele que pode ter a benção de conhecer este imenso poder e beleza da natureza do panteon yorùbá, é sem dúvida um abençoado, pois sabe a estrutura terrestre como um ser vivo, e aquele que pisa a terra e a terra lhe reconhece, jamais terá algum caminho errado em seu destino. Será beneficiado pela base de tudo no planeta. As iy´mi são energias que ocupam o espaço da estrutura terrestre. Quando direcionadas a formar qualquer processo de ritualidade possuem o objetivo de manter o domínio sobre toda e qualquer matéria manipulada. Dentro do culto mais tradicional yorúbá, nada se faz sem estruturar as 4 partes iguais do ambiente. Se o espaço gerado da estrutura básica de tudo o que existe pertence a elas, precisamos reverenciá-las antes de qualquer ato da litúrgia yorúba. Se caso desconhecemos esta técnica ou através de outro motivo, não o fazemos, o contexto no culto das ondas mentais se perdem no caminho, ao não haver um direcionamento preciso dentro do ritual, sendo assim o objetivo não é atingido. Muito mais que um mero conceito técnico ou mitológico, as iyámi são a manifestação do poder feminino no universo, e afinal de contas, o que seria este tão falado "poder feminino"?. O ofício do gênero na natureza ( macho e femea), é somente de criar, produzir, gerar, etc, e as suas manifestações são visíveis em todos os planos de f~enomenos. Muito se fala de pólos positivos e negativo. Estes termos são aplicados erroneamente pela ciência. A palavra positivo significa o que é real e forte, comparado com a polaridade negativa que seria então irrealidade e fraqueza. O chamado pólo negativo na verdade, é realmente o pólo no qual e pelo qual se manifesta a geração ou produção de novas formas de energia. Não há nada de NEGATIVO ao redor dele. As maiores autoridades no mundo da ciência, usam o termo CATÓDICO, evitando justamente esta confusão. E incrível que pareça, esta confusão se expressa na interpretação deste mito milenar que é o PODER FEMININO no universo ìyámi òsóronga. A função da parte masculina do universo parece ser a de dirigir uma certa energia para o principio feminino e assim por em atividade o processo criativo. Mas o princípio feminino é sempre o único que faz ativar a obra criadora, e isto é assim em todos os planos. Portanto somente abraçando o lado favorável das ìyámi conseguimos gerar gerar a quantidade de energia suficiente e ter uma repercussão divina dentro de qualquer ritual. As ìyámi, são tidas como a força da própia composição terrestre ( um elemento feminino), interligadas com a força gravitacional. Quando o ser humano tem consciência plena do peso específico; de sua mão, de seu pé, de sua cabeça, sem dúvida alguma, é uma pessoa afortunada. Pois com certeza alcançará a harmonia divina entre seu DEUS interno (Orisá) e a natureza, podendo assim conhecer as várias faces do Deus supremo ELEDUMARE em todas suas manifestações. E é esta a grande finalidade do culto yorubá, sendo muito anterior ao cristianismo, a idéia da religião aos`Àwon Òrisá é sempre de que as pessoas conheçam seu Deus interno (orisá) e que possam conhecer a manifestação deste Deus na natureza, seja raio, trovão, ou chuva, etc. A pessoa compreende em um sentido maior a presença de Deus no mundo, alcançando assim a "grande compreensão", a de se perceber parte de um todo e com um papel muito importante nesta estrutura-a manifestação de Deus plenamente. É através de ibá que se entra em contato com as iyámi. É um cântico sagrado que antecede a tudo que se faz no culto yorubá e visa a própia composição terrestre, para que as bençãos possam ser utilizadas na ritualidade. IBÁ ÌYÁMI ÒSÓRONGA !

quarta-feira, 3 de março de 2010

A RELIGIOSIDADE YORUBÁ

Os yorubás acreditam que nós existimos em um universo fechado e definível, o qual é influenciado por uma quantidade infinita de forças. Acreditam que existe um só Deus de onde se emanaram as forças constitutivas de todo. Acreditam que existem forças da natureza que são controladas pelos Orìsás, os quais por sua vez são manifestações parciais ( portanto limitadas) de Deus, mas que governam e atuam decisivamente nos negócios humanos e no universo em geral. Acreditam que os espíritos humanos sobrevivem após a morte e que podem reencarnar no mundo dos homens. Acreditam que os espíritos devem ser lembrados, honrados e consultados pelos seres humanos. Acreditam nos oráculos como meio de comunicação entre os homens e suas divindades. Acreditam no uso de oferendas e sacríficios para elevar suas orações aos Orisás e aos ancestrais. Acreditam no poder da manipulação mágica como método de comprensão da natureza e dos seres humanos. Acreditam no uso mágico e medicinal das plantas. Acreditam que a dança e a musica ritual são obrigatórias na adração a Deus. Entendem que Deus é uma idéia vasta demais para a comprensão da mente humana. Assim, eles pegam uma porção de Deus- um Orisá- e tentam, através da compreensão da parte, adquirir conhecimento do todo. Por exemplo, quando um africano vai a um rio e lhe oferece uma fruta, ele não esta adorando o rio, ele esta fazendo uma oferenda ao espírito do rio, ao Orisá do rio, aquela pequena parte de Deus que o rio exemplifica. Assim quando dizemos que o culto aos Orisás é uma religião natural, não significa que eles rezam para as pedras , rios ou arvores , no sentido literal do termo. O que os yorubás adoram, é a essencia de Deus nessas porções da natureza. Sua filosofia é a base da idéia que Deus deixou no rio ou nas arvores, o que também deixou em nossas cabeças, Força (àsé)- consciência (((((ábá)- luz (ìwá), algo que para os devotos aos cultos yorubás, sempre se pode e deve ser extraído e usado para melhorar sua vida e de sua comunidade. Toda a natureza diz algo, às pessoas, seja uma ordem, uma advertência ou sentimento de irmandade. Algumas manifestações da natureza fornecem para os seres humanos, no entanto outras, tiram. Por isso não existe neste sistema de crenças, a idéia de um mal absoluto ou um bem absoluto. este texto ,é fruto de uma apostila (oferendas) do professor luís carlos de osálá.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

IYEMANJA YÈYÉ OMO EJÁ


A figura africana da Grande Mãe dos Orísás, a Deusa dos seios chorosos está muito distante desta representação brasileira. Na África IYEMANJÁ é a grande mãe geratriz e provedora do sustento de toda a humanidade. Filha de Olokum a grande Deusa do oceano, divindade praticamente desconhecida no Brasil. Mãe dos rios, dona dos mares piscosos, propietária de todas as riquezas do mar. Iyemanja foi esposa de Orunmilá, o senhor do Oráculo e de Obá Olofim Oduduwá, antigo e poderoso Rei da cidade de IFÉ , com quem teve dez filhos, mostrando que a parte histórica se mistura com a mitica. Foi também esposa de Osalá, alusão ao simbolismo da fusão entre o céu e o mar, significando a fecundidade da natureza e a procriação da humanidade simbolizada pelos seus filhos: os peixes. Lenda: Uma de suas lendas conta que Iyemanja era casada com Obá Olofim Oduduwá, poderoso Rei de Ifé com quem tinha dez filhos , mas estava insatisfeita com seu casamento, mas tinha medo de deixar o marido e por seu instinto maternal relutava em desamparar os filhos. Olofim era um tirano que artomentava a vida de Iyemanja e esta, devido ao seu caráter altivo de soberana, já não suportando mais a submissão imposta, resolveu fugir para as terras do país de Abeokutá . Neste novo reino conheceu Okerê rei de Xaxi. Este apaixonou se por Iyemanjá pois esta era muito bonita e propôs-lhe casamento. Iyemanjá concordou com a condição. Que este nunca ridicularizasse seus seios que eram enormes por ter amamentado tantos filhos. Okerê concordou e tratava Iyemanjá com muito respeito, mas um dia , Okerê tonto de tanto vinho de palma que tinha ingerido, chegou em casa tropeçando em Iyemanjá que o chamou de bebado. Okere que já não sabia o que estava fazendo, começou a humilha-la dizendo: e voçê, com seus seios enormes, balançantes e trêmulos. Iyemanjá ofendida, pegou seus filhos e fugiu para não voltar nunca mais. Okerê vaidoso, não queria perder a esposa. Saiu atrás de Iyemanjá com seus soldados. Durante a fuga com seus filhos, Iyemanjá percebeu que Okeê colocara no seu encalço o exército para captura-la. Sua mãe Olokum, havia lhe presenteado tempos atrás com uma cabaça mágica para ser usada, caso precisasse, em caso de perigo e o mar iria em seu socorro. Ao sentir-se acuada e sem saída, Iyemanjá então abriu a cabaça e pediu ajuda a Olokum. Então do interior da cabaça a magia transformou Iyemanjá num enorme rio que corria em direção ao mar. Mas Okerê desejando vencer Iyemanjá transformou-se numa montanha, barrando o caminho do rio. Então Iyemanjá pediu ajuda a seu filho Sângo, que com um poderoso raio partiu a montanha em dois, e assim o rio seguiu seu curso para o oceano levando Iyemanjá e seus filhos para a segurança e a liberdade. Nos mitos yorubás sobre a criação do mundo, Iyemanjá é tida como a mãe e senhora de todas as aguas do mundo, sejam doces ou salgadas. Nas histórias mais antigas, o primeiro casal de Orisás que formou o mundo foi Obatalá, o céu, e Oduduwá a terra. Seus filhos foram Aganjú, a abóbada celeste, e Iemanjá, as aguas. Deste casamento nasceu Orungá, o ar atmosférico. Na África, o culto a Iyemanjá tem muitas variações , que variam de região , mesmo dentro da mesma grande nação yorubá, dividida em pequenas etnias. Por exemplo; a divindade do oceano é OLÓÒKUN, considerada um Orisá masculino na região de OYÓ e feminino da região da cidade de IFÉ. O culto a Iyemanjá originou-se no território de Abeokutá entre o povo EGBÁ, às margens do rio Ogum, que mais tarde transformou-o em culto aos ancestrais femininos , sendo fesrejado no festival GELEDÉ, estendendo-se assim por várias cidades. Assim como Osún, Iyemanjá é considerada a Iyabá da riqueza, da beleza e patrona da maternidade. Porém enquanto Osún tem o poder de seu asé ligado ao feto e ao parto, cuidando da criança nos seus primeiros anos, Iyemanjá se encarrega da segunda infancia e da sua educação. Diz-se que quando já é possível identificar o Orisá de uma criança através do oráculo, esta deixa de ser responsabilidade de Osún. Iyemanjá é a personificação da figura materna em toda sua extensão. Ela é considerada a mãe da humanidade. Na África é apresentada grávida, com as mãos no ventre e com os seios volumosos pela maternidade. ODÒ IYÁ, IYEMANJÁ, ATARAMAGBÁ AJEJÈ LOD^! AJEJÊ NILÊ! (MÃE das águas, IYEMANJÁ, que estendeu-se ao longe na amplidão. paz nas águas! paz na casa! ) .

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

IBÁ IYÀMÍ

IBÁ AKODÁ TO DA TIE LORI EWE akodá é o nosso primeiro ser criado, e foi criado sobre a folha IBÁ ASEDÁ TI TE TIE NILE PEPE asedá, aquele que criou o primeiro ser humano. lembrança sua sobre a terra.IBÁ IYÀMI ÒSÒRONGÁ minhas mães, todas poderosas, acima de tudo os meus respeitos. APANI MA HÁ GUN as que controlam, sendo plenamente, todas as forças terrestres AWON NI OLOKO KI ORU ATORI JAPA! ATEDO JOKAN que tudo seja a meu favor. da cabeça aos braços; do figado ao coração; da bílís ao anûs. ATIDI JORONRO EYE AKE GANAN RAN pássaros, imensos pássaros da sabedoria AGBO KEKE LORI IROKO MAYE iroko, grande árvore que está acima de todas cabeças AROHOHO ILE SE IRO EYE ABAPAYE terra que testemunha todos os acontecimentos e de tudo sabe ELESE IRO EYE A BIDE LENU WAKO WAKO wako wako, grande pássaro com bico de bronze AWON NI IGUN TI GUN OMO EJA NINU OMI preciso ao pegar os filhotes de peixe na agua AWON NI OYANYAN GANGA TI GUN OMO AKAN LODO pássaro consciente que pode alcançar , e alcança , o caranguejo no fundo do rio EMI MO ORUNKOO YIN EMA PAMI EMA PA AWON OMO O MI. não me mate, e nem aos meus filhotes MOJÚBÁ OKUNRIN. MOJUBÁ OBIRIN. sua benção macho universal. sua benção fêmea universal. IBÁ LOWO OGUNSO LEGELEGE TI O DORI KODO TIKO JÁ sua benção, aquela que inverte o homen internamente e nem assim ele morre IBÁ LOWO ILU GBEDU TI O DORI KOLE saudações ao rítmo da morte , e que minha cabeça não o ouça TI O WAMI LOJU GBURUGBU este som não tremerá de pavor minha visão MOJUBÁ ODUNDUN TI I DUN BI I EEGUN me abençoe o antepassado na sua paz que me faz vivo MOJUBÁ OLOLO TI LOHUN ORO me abençoe o poder que tritura o grão e toca o tambor. que eu não esteja ao meio de seu atrito. IBÁ LOWO ONA OMO OSOROROO JIRO respeitosamente reverencio o espaço além no universo de meu caminho. IBÁ LOWO AYEE! saudações ao que existe intensamente da terra ao sol, e que me reconheçam. que tudo seje aceito; sem desvio e que me abençoem.